<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-6596138590224138403</id><updated>2012-02-16T19:01:09.570-08:00</updated><category term='outono'/><title type='text'>Armazém de Versos</title><subtitle type='html'>NINGUÉM ME PERGAMINHO. TÔ REPLETO DO MUNDO, COMPLETAMENTE SOZINHO</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://armazemdeversos.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6596138590224138403/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://armazemdeversos.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Armazém de Versos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01728499791261991678</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_BOcqcbcj2-I/SONtQTt8wLI/AAAAAAAAAAM/nTvctQ100Vg/S220/DSC06211.JPG'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>31</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6596138590224138403.post-8012893035711166233</id><published>2012-02-05T05:55:00.000-08:00</published><updated>2012-02-05T05:55:06.873-08:00</updated><title type='text'>BANZEIRO - a poesia em movimento: Francisco Perna Filho - Poema</title><content type='html'>É isso, grande Chico! Belo poema pra uma degustação literária deste domingo azul. Verve afiada, como a espada suave da Arcanjo Miguel penetrando nossa carne hipocondríaca porque pecadora. hehehee&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6596138590224138403-8012893035711166233?l=armazemdeversos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://armazemdeversos.blogspot.com/feeds/8012893035711166233/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6596138590224138403&amp;postID=8012893035711166233' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6596138590224138403/posts/default/8012893035711166233'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6596138590224138403/posts/default/8012893035711166233'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://armazemdeversos.blogspot.com/2012/02/banzeiro-poesia-em-movimento-francisco.html' title='BANZEIRO - a poesia em movimento: Francisco Perna Filho - Poema'/><author><name>Armazém de Versos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01728499791261991678</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_BOcqcbcj2-I/SONtQTt8wLI/AAAAAAAAAAM/nTvctQ100Vg/S220/DSC06211.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6596138590224138403.post-4592893743804388498</id><published>2011-12-09T09:44:00.000-08:00</published><updated>2011-12-09T09:44:39.044-08:00</updated><title type='text'>Com os olhos para a BR</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;br /&gt;O poeta e escritor Gilson Cavalcante ainda não conseguiu entrar para a Academia Tocantinense de Letras. Continua na mortalidade dos humanos. Mas pulsa como nunca em sua poesia. Depois de vencer o histórico e concorrido concurso da Bolsa de Publicações Hugo de Carvalho Ramos, em Goiás, recebe, agora, o Troféu Goyases 2011, no campo da poesia. A honraria é da Academia Goiana de Letras.&lt;br /&gt;Se pudesse construir uma metáfora, diria que o poeta e jornalista Gilson Cavalcante já está, na literatura - que diria ser mais que parte de sua vida - com os olhos voltados para a BR (na direção Sul) e não mais para a Serra de Lajeado. Como tantos outros também já miram, com porquês que impõem convergências em função de motivações similares.&lt;br /&gt;Para se ter uma idéia da dimensão do Troféu Goyases, este ano ele premiou além de Gilson, o renomado escritor Miguel Jorge e o escritor e ex-deputado Eurico Barbosa,dentre outros. Foram contemplados escritores nos ramos de poesia, romance, crônica, conto, ensaio e uma categoria especial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-XQ9Au7DzhPw/TuJI2jh55KI/AAAAAAAAADI/dQBHKhS6e4w/s1600/Gilson+1.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="211" mda="true" src="http://1.bp.blogspot.com/-XQ9Au7DzhPw/TuJI2jh55KI/AAAAAAAAADI/dQBHKhS6e4w/s320/Gilson+1.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: x-large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6596138590224138403-4592893743804388498?l=armazemdeversos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://armazemdeversos.blogspot.com/feeds/4592893743804388498/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6596138590224138403&amp;postID=4592893743804388498' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6596138590224138403/posts/default/4592893743804388498'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6596138590224138403/posts/default/4592893743804388498'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://armazemdeversos.blogspot.com/2011/12/com-os-olhos-para-br.html' title='Com os olhos para a BR'/><author><name>Armazém de Versos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01728499791261991678</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_BOcqcbcj2-I/SONtQTt8wLI/AAAAAAAAAAM/nTvctQ100Vg/S220/DSC06211.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-XQ9Au7DzhPw/TuJI2jh55KI/AAAAAAAAADI/dQBHKhS6e4w/s72-c/Gilson+1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6596138590224138403.post-8107041571407027414</id><published>2011-10-25T12:30:00.000-07:00</published><updated>2011-10-25T12:44:54.476-07:00</updated><title type='text'>Obra do poeta e jornalista Gilson Cavalcante é reconhecida em concurso da UBE-GO</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;O jornalista, poeta, escritor e compositor Gilson Cavalcante teve o seu livro de... poesia inédito A Mofina-flor de Morfeu premiado na Bolsa de Publicações Hugo de Carvalho Ramos, Da União Brasileira de Escritores – seção de Goiás. A divulgação do resultado ocorreu no final da tarde de terça-feira, na sede da entidade, em Goiânia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como prêmio, o poeta terá sua obra publicada (90 poemas) e mais 20 salários mínimos em dinheiro. A Mofina-flor de Morfeu é composto de poemas densos que falam da dor, do vazio e do nada, de forma lírica, filosófica, com pitadas de humor e com um esmerado jogo de palavras bem construído.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O livro de Gilson Cavalcante, de acordo com a comissão julgadora, composta pelos escritores e críticos literários Delermando Vieira Sobrinho, Carlos Willian Leite e Maria de Fátima Gonçalves Lima, A Mofrina-flor de Morfeu trata-se de uma obra poética “erguida dentro do contexto existencial, muito bem estruturada, cuja lírica se concretiza ao fôlego das ideias inerentes à dor humana, como, também, à eficácia do jogo de palavras, seus significados, estigmas e vicissitudes, tão correlatos ao íntimo do ser”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A comissão conclui que o poeta Gilson Cavalcante “trabalha com concisão, lirismo, sem, contudo, deixar-se perder em suas nuances poéticas, ao sentido de suas ideias, bem como às imagéticas, mensagem e sabedoria”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O poeta abre sua Morfina-flor com o seguinte poema: entro neste livro como um gerúndio: doendo, sangrando em palavras, ardendo na área do conflito. Não sei se voo ou grito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois apresenta a dor que sente: eis aqui a dor: poema irrigado a sangue e morfina. O amor furou meus olhos, o amor-fêmea. Amorfo, procuro nos ossos o gesto de mim - forma e fundo. A dor morfológica morfema, morfina-flor. O poema em conta-gotas comprimido no coágulo. Grito, grito para anunciar essa dor coletiva que nos aglutina na contorção do mito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gilson Cavalcante se despede de sua dor e do seu vazio com o poema &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Em companhia de mim mesmo”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;saio deste livro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(não sei se livre)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;pingando o último poema&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;porém aliviado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;apenas com uma cicatriz&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;nos olhos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;vou voltar ao passado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e levo como presente&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;as coisas que deixei de lado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o futuro é o que se faz&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;alado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gilson ja publicou 6 livros de poesia, dos quais dois foram premiados. "69 Poemas - Dos Lençóis e da Carne", em parceria com Hélverton Baiano, "Lâmpadas ao Abismo". "Ré/Ínventário da Paisagem", "Poemas da Margem Esquerda do Rio de Dentro", este contemplado com menção honrosa especial no concurso literário nacional PRÊMIO CIDADE DE JUIZ DE FORA, em 2001, "O Bordado da Urtiga", prêmio da Bolsa de Publicações Maximiano da Matta Teixeira, 2008, da Fundação Cultural do Tocantins, e "Anima Animus - O Decote de Vênus", Estes dois últimos foram publicados em 2009, sendo o primeiro em julho e o último no dia 31/12/09. Já ganhou vários concursos literários em Goiás e em outras regiões, com poemas avulsos.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6596138590224138403-8107041571407027414?l=armazemdeversos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://armazemdeversos.blogspot.com/feeds/8107041571407027414/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6596138590224138403&amp;postID=8107041571407027414' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6596138590224138403/posts/default/8107041571407027414'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6596138590224138403/posts/default/8107041571407027414'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://armazemdeversos.blogspot.com/2011/10/obra-do-poeta-e-jornalista-gilson.html' title='Obra do poeta e jornalista Gilson Cavalcante é reconhecida em concurso da UBE-GO'/><author><name>Armazém de Versos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01728499791261991678</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_BOcqcbcj2-I/SONtQTt8wLI/AAAAAAAAAAM/nTvctQ100Vg/S220/DSC06211.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6596138590224138403.post-3143739638020914059</id><published>2011-10-25T12:24:00.000-07:00</published><updated>2011-10-25T12:24:03.670-07:00</updated><title type='text'>Gilson vence Bolsa Hugo de Carvalho Ramos - Luiz Armando Costa</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;br /&gt;“Em companhia de mim mesmo”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;saio deste livro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(não sei se livre)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;pingando o último poema&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;... porém aliviado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;apenas com uma cicatriz&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;nos olhos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;vou voltar ao passado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e levo como presente&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;as coisas que deixei de lado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o futuro é o que se faz&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;alado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Gilson Cavalcante papou mais um concurso. Ainda não entendi essa Academia de Letras do Estado. Gilson ali não está, talvez por força de outras circunstâncias ou mesmo pela falta de interesse do poeta em ali se colocar. Sabe-se que na ATL tem de tudo: político, gente de um livro só, outros que fizeram coletânea de artigos publicados e o transformou em obra completa. Mas, convenhamos, como a imortalidade é da obra e não do autor, fica o dito pelo não dito.&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde que conheço Gilson Cavalcante, o poeta e jornalista vive da mesma forma, livre e sem apegos a convenções. E isto faz tempo numa turma boa que tinha os também poetas e amigos Tião Pinheiro, Helverton Baiano, Edival Lourenço, Delermando Vieira, Pio Vargas, Tagore Biran, Ubirajara Gali, Goiamérico Felício, Brasigóis Felício. Era um grupo que se encontrava nos botecos no meio da semana para jogar futebol no domingo. Bom de copo, bom de pena mas, claro, ruim de bola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois esta semana Gilson Cavalcante teve o seu livro de poesia inédito A Mofina-flor de Morfeu premiado na Bolsa de Publicações Hugo de Carvalho Ramos, Da União Brasileira de Escritores – seção de Goiás. A divulgação do resultado ocorreu no final da tarde de terça-feira, na sede da entidade, em Goiânia. É uma conquista e tanto. A Bolsa é, senão o maior, o mais importante prêmio literário do Centro-Oeste, uma das maiores honrarias do país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como prêmio, o poeta terá sua obra publicada (90 poemas) e mais 20 salários mínimos em dinheiro. A Mofina-flor de Morfeu é composto de poemas densos que falam da dor, do vazio e do nada, de forma lírica, filosófica, com pitadas de humor e com um esmerado jogo de palavras bem construído.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O livro de Gilson Cavalcante, de acordo com a comissão julgadora, composta pelos escritores e críticos literários Delermando Vieira Sobrinho, Carlos Willian Leite e Maria de Fátima Gonçalves Lima, A Mofrina-flor de Morfeu trata-se de uma obra poética “erguida dentro do contexto existencial, muito bem estruturada, cuja lírica se concretiza ao fôlego das ideias inerentes à dor humana, como, também, à eficácia do jogo de palavras, seus significados, estigmas e vicissitudes, tão correlatos ao íntimo do ser”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A comissão conclui que o poeta Gilson Cavalcante “trabalha com concisão, lirismo, sem, contudo, deixar-se perder em suas nuances poéticas, ao sentido de suas ideias, bem como às imagéticas, mensagem e sabedoria”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gilson ja publicou 6 livros de poesia, dos quais dois foram premiados. "69 Poemas - Dos Lençóis e da Carne", em parceria com Hélverton Baiano, "Lâmpadas ao Abismo". "Ré/Ínventário da Paisagem", "Poemas da Margem Esquerda do Rio de Dentro", este contemplado com menção honrosa especial no concurso literário nacional PRÊMIO CIDADE DE JUIZ DE FORA, em 2001, "O Bordado da Urtiga", prêmio da Bolsa de Publicações Maximiano da Matta Teixeira, 2008, da Fundação Cultural do Tocantins, e "Anima Animus - O Decote de Vênus", Estes dois últimos foram publicados em 2009, sendo o primeiro em julho e o último no dia 31/12/09. Já ganhou vários concursos literários em Goiás e em outras regiões, com poemas avulsos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-55FgS_HhLHE/TqcMuc95pyI/AAAAAAAAADA/yte_xIoGeeg/s1600/IMG_0456.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" ida="true" src="http://1.bp.blogspot.com/-55FgS_HhLHE/TqcMuc95pyI/AAAAAAAAADA/yte_xIoGeeg/s320/IMG_0456.jpg" width="239" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6596138590224138403-3143739638020914059?l=armazemdeversos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://armazemdeversos.blogspot.com/feeds/3143739638020914059/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6596138590224138403&amp;postID=3143739638020914059' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6596138590224138403/posts/default/3143739638020914059'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6596138590224138403/posts/default/3143739638020914059'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://armazemdeversos.blogspot.com/2011/10/gilson-vence-bolsa-hugo-de-carvalho.html' title='Gilson vence Bolsa Hugo de Carvalho Ramos - Luiz Armando Costa'/><author><name>Armazém de Versos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01728499791261991678</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_BOcqcbcj2-I/SONtQTt8wLI/AAAAAAAAAAM/nTvctQ100Vg/S220/DSC06211.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-55FgS_HhLHE/TqcMuc95pyI/AAAAAAAAADA/yte_xIoGeeg/s72-c/IMG_0456.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6596138590224138403.post-4246006309330129712</id><published>2011-10-25T12:07:00.000-07:00</published><updated>2011-10-25T12:07:19.382-07:00</updated><title type='text'>A Morfina-Flor de Morfeu</title><content type='html'>O livro de Gilson Cavalcante, de acordo com a comissão julgadora, composta pelos escritores e críticos literários Delermando Vieira Sobrinho, Carlos Willian Leite e Maria de Fátima Gonçalves Lima, A Mofrina-flor de Morfeu trata-se de uma obra poética “erguida dentro do contexto existencial, muito bem estruturada, cuja lírica se concretiza ao fôlego das ideias inerentes à dor humana, como, também, à eficácia do jogo de palavras, seus significados, estigmas e vicissitudes, tão correlatos ao íntimo do ser”.&lt;br /&gt;A comissão conclui que o poeta Gilson Cavalcante “trabalha com concisão, lirismo, sem, contudo, deixar-se perder em suas nuances poéticas, ao sentido de suas ideias, bem como às imagéticas, mensagem e sabedoria”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;II&lt;br /&gt;eis aqui a dor:&lt;br /&gt;poema irrigado a sangue&lt;br /&gt;e morfina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o amor furou meus olhos,&lt;br /&gt;o amor-fêmea.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;amorfo, procuro nos ossos&lt;br /&gt;o gesto de mim&lt;br /&gt;forma e fundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a dor morfológica&lt;br /&gt;morfema, morfina-flor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o poema em conta-gotas&lt;br /&gt;comprimido no coágulo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;grito, grito&lt;br /&gt;para anunciar essa dor&lt;br /&gt;coletiva que nos aglutina&lt;br /&gt;na contorção do mito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;III&lt;br /&gt;não fui eu &lt;br /&gt;quem inventou&lt;br /&gt;a anestesia&lt;br /&gt;nem o Anador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;inventei essa poesia&lt;br /&gt;como tentativa de alívio&lt;br /&gt;para nossa insônia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;nem o vazio inventei&lt;br /&gt;embora repleto&lt;br /&gt;em seu conteúdo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;de repente&lt;br /&gt;sou o adorador &lt;br /&gt;de ausências&lt;br /&gt;enrolando o fogo&lt;br /&gt;no círculo da serpente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;IV&lt;br /&gt;dorme em mim&lt;br /&gt;uma dor de marfim&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não é de mármore&lt;br /&gt;a memória do muro&lt;br /&gt;de  Berlim&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;vivo de acidentes&lt;br /&gt;para recompor os olhos&lt;br /&gt;diante da paisagem&lt;br /&gt;visto que outono&lt;br /&gt;me  desmancha do outro&lt;br /&gt;lado do ocidente&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;minha dor onera o sono&lt;br /&gt;e Morfeu acorda os meus ombros&lt;br /&gt;para o pesadelo de Sísifo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a pedra que tudo protela&lt;br /&gt;me arremessa o corpo&lt;br /&gt;acima da primavera&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VIII&lt;br /&gt;em  Edu&lt;br /&gt;a dor se educou&lt;br /&gt;no fígado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(nas vísceras&lt;br /&gt;o fogo de Prometeu) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a dor pedagógica&lt;br /&gt;ensina o caminho&lt;br /&gt;da lógica da flor&lt;br /&gt;e do espinho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a dor e as suas aulas&lt;br /&gt;de abstracionismo&lt;br /&gt;no alívio do concreto&lt;br /&gt;da arte de ¼ moderno&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a cor da dor&lt;br /&gt;no mar-te-lo ver-me-lho&lt;br /&gt;inter-fere, Interferon&lt;br /&gt;dentro da metáfora&lt;br /&gt;a agulha se faz fantasia&lt;br /&gt;dor, azia, ânsia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;nem por isso a eutanásia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;só quem tece a dor no fígado&lt;br /&gt;sabe o fogo e o hálito do abismo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;XII&lt;br /&gt;codificaram a nossa dor&lt;br /&gt;no DOI-CODI&lt;br /&gt;a dor de não-lágrimas &lt;br /&gt;a dor do silêncio&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;nossos retratos em 3x4&lt;br /&gt;nossos dados gritos dedos&lt;br /&gt;empilhados nos arquivos&lt;br /&gt;mortos pesaram&lt;br /&gt;sobre os anos de chumbo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o inventário dos ossos nossos &lt;br /&gt;dilatados nos olhos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a delação na dor&lt;br /&gt;embrulhada pela página&lt;br /&gt;virada da história&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;de que adianta a exumação&lt;br /&gt;dos cadáveres se a dor continua&lt;br /&gt;com os seus martelos vermelhos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;XVII&lt;br /&gt;se me doo&lt;br /&gt;não grito&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;doar não &lt;br /&gt;me deixa aflito&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;doer:&lt;br /&gt;nosso eterno conflito&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;XX&lt;br /&gt;a dor é transparente&lt;br /&gt;e vem na ponta d´agulha&lt;br /&gt;líquida onde mora&lt;br /&gt;seu antídoto&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;antes do mito&lt;br /&gt;ela mente&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;essa dor passa no sono?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;dormir a dor&lt;br /&gt;é um ledo engano&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;doer infinitamente&lt;br /&gt;até entendermos a morfologia&lt;br /&gt;desse sentimento&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;até doarmos o sangue&lt;br /&gt;suficiente da guerra&lt;br /&gt;que inventamos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ou sagrarmos&lt;br /&gt;até a última gota do poema&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a dor como dom&lt;br /&gt;do resgate é plena&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em companhia de mim mesmo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;saio deste livro&lt;br /&gt;(não sei se livre)&lt;br /&gt;pingando o último poema&lt;br /&gt;porém aliviado&lt;br /&gt;apenas com uma cicatriz&lt;br /&gt;                       nos olhos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;vou voltar ao passado&lt;br /&gt;e levo como presente&lt;br /&gt;as coisas que deixei de lado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o futuro é o que se faz&lt;br /&gt;                           alado&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6596138590224138403-4246006309330129712?l=armazemdeversos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://armazemdeversos.blogspot.com/feeds/4246006309330129712/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6596138590224138403&amp;postID=4246006309330129712' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6596138590224138403/posts/default/4246006309330129712'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6596138590224138403/posts/default/4246006309330129712'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://armazemdeversos.blogspot.com/2011/10/morfina-flor-de-morfeu.html' title='A Morfina-Flor de Morfeu'/><author><name>Armazém de Versos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01728499791261991678</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_BOcqcbcj2-I/SONtQTt8wLI/AAAAAAAAAAM/nTvctQ100Vg/S220/DSC06211.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6596138590224138403.post-7682288841648210057</id><published>2011-05-28T15:14:00.000-07:00</published><updated>2011-05-28T15:17:46.003-07:00</updated><title type='text'>A Mestiça</title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Gilson Cavalcante&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os olhos dela têm um brilho acetinado. Mestiça raramente chora e, por isso, conserva a paisagem original do seu interior. Seus óculos perderam as pernas. E agora estão guardados no criado-mudo, embaçados pelas lágrimas vertidas no verão. Vive de recordações e de tecer sonhos. Mas não consegue se lembrar da infância, nem dos pais. Ficou órfã muito cedo, quando passou a viver sozinha, em um sítio próximo ao povoado da Boa Provisão. Não teve filhos. Apenas dois gatos e um cachorro da raça Labrador a fazem companhia. Sua música são os gorjeios dos pássaros. Sabe do tempo e das horas pelo canto do galo e pelo relincho de um jumento.&lt;br /&gt;Acorda sempre às cinco da manhã e deita-se após ouvir a “Voz do Brasil”, quando passa a auscultar o coração da noite, a dar atenção às vozes que lhe vêm do fundo da alma. Sabe da vida e de seus desdobramentos pelos sinos lineares das cigarras e a fosforescência dos vaga-lumes. Aliás, foram com os bichos e insetos que ela compreendeu a luz. Com as plantas e as ervas aprendeu a medicina celeste.&lt;br /&gt;Apesar de morar numa casa arejada, com varandas ao redor, sem energia elétrica, Mestiça não faz uso de velas nem de lamparina. (Uma lanterna de alumínio próxima ao filtro de água, esquecida por um visitante numa noite de lua cheia de um dia qualquer de anos atrás, exerce sua ferrugem sem nenhuma serventia). No fogão à lenha, desenvolve a magia alquímica da culinária natural e o poder dos chás. Só faz uma refeição por dia.&lt;br /&gt;Quando sente saudade de algo inefável, cantarola, solfeja, assovia canções e vinhetas que ela mesma inventa. É quando fica nua sem se preocupar com quem pudesse chegar a qualquer momento. Mas, dificilmente recebe visitas, a não ser dos passarinhos que pousam em seus ombros no inicio da manhã e no finalzinho da tarde, quando o crepúsculo faz renascer em seus olhos as borboletas do outono, despetaladas a cada piscadela. Fecha-se a janela e Mestiça se volta para dentro, para o seu interior.&lt;br /&gt;Se não fosse a poesia, a imaginação, já teria morrido. “Só a música e a poesia podem salvar o mundo”, divaga em seu silêncio, em seu solilóquio de plena ternura e alumbramento.&lt;br /&gt;Mestiça me acorda no meio da madrugada. Quer que eu fale pra você, leitor, do seu, dela, ofício de tecelã. Fui estar com ela. Tirou-me do sono para mudar o curso dessa história. Ai, que sofrimento! Por que fui inventar essa ficção? “Diga aí para os seus leitores que sou feliz em minhas desfiaduras, que brinco com bilros como quem pratica balé com as mãos, que cardo o algodão como quem despenteia os cabelos de Medusa. Escreve que também faço macramê com umas embiras de palhas de babaçu e buriti. Tudo que faço está aqui bem guardado nesses baús empoeirados, nesses armários. São peças que guardo pra esperar meu amado. Eu sei que um dia ele vai aparecer. Tenho até uma grinalda e um vestido de noiva. Estava aqui pensando: não quer ser meu noivo? Você me inventou, agora cuida de mim, senão vou lhe assombrar para o resto da vida...”.&lt;br /&gt;Olha aqui, Mestiça, sou poeta e vivo de imaginações. Ninguém pode interferir no meu ofício de escritor. Eu não interfiro no seu. Vamos fazer um pacto, entrar em um acordo para que não deixemos o leitor confuso e perdido nesse emaranhado de conjecturas e divagações. Estabeleceremos um romance que pode se tornar uma novela ou um seriado de TV. No final, morreremos abraçados, mas sem interferência de Shakespeare.&lt;br /&gt;Do jeito que apareceu, Mestiça sumiu como um raio. Deixou-me sozinho, com a responsabilidade de terminar esta história. Ao contrário de Penélope, que tecia e desmanchava tudo o que fazia à espera de Ulisses, Mestiça aguarda o seu amado pelo acúmulo de lembranças. A única coisa que consegue desfazer são suas tranças. Nas horas vagas, tece cabelos como quem se prepara para um baile. Minha princesa começou a tomar forma quando meus olhos pesaram e debrucei-me sobre o computador.&lt;br /&gt;Mestiça resolveu me visitar numa dessas madrugadas, quase amanhecendo o dia. No meio do caminho, começa a armar uma tempestade. Trovões e relâmpagos. Um raio caiu próximo, por ali, e ela, com o susto, sofre o desmaio. Após um tempo desacordada, Mestiça retoma os sentidos, passa as mãos nos olhos e fica em estado de expectativa, assustada. Mestiça não precisa mais levar a vida apalpando as coisas, andando pelos cantos, tropeçando em palavras. Ela ia me conhecer em braile. Ficou decepcionada com o que viu à sua volta: cenário de destruição da natureza. Nem quis mais saber de mim. Voltou dali meso, correndo desesperada.&lt;br /&gt;Em casa, ainda trêmula, retirou a roupa encharcada, tomou banho e, ao sair do banheiro, deu de cara com o imenso espelho que fica na sala, em meio a seus apetrechos de tear. Assusta-se com a aquela imagem refletida. Não conhecia aquela pessoa ali à sua frente. Aliás, nem sabia da existência daquele espelho. Demorou um pouco para reconhecer que era ela mesma.&lt;br /&gt;Começou a apalpar o corpo, num ritual de autoconhecimento. Fica demoradamente alisando os longos cabelos ondulados com alguns fios brancos. Não sabe se ri ou chora.&lt;br /&gt;(Mestiça tinha noção das cores pelos seus estágios de transcendência mental. O seu arco-íris apresentava mais de sete cores, e a lua se desdobrava em de quatro fases).&lt;br /&gt;Aqueles olhos de uma tonalidade violeta estão úmidos, não sei se de saudade ou de melancolia. Podem ser os dois sentimentos simultâneos. Tudo à sua volta lhe é estranho, apesar da intimidade que tem com os objetos e peças da casa.&lt;br /&gt;Acaricia os lábios, balbucia algumas palavras ininteligíveis e continua em seu solilóquio até chegar aos seios. Fica enamorada com eles. Tenta beijá-los e não consegue. Começa a massageá-los, se excita e decide beliscar os mamilos com a mão esquerda e, com a direita, inicia o ritual da volúpia utilizando os dedos sobre o clitóris.&lt;br /&gt;Após vários orgasmos, dirige-se vagarosamente em direção ao baú, onde está guardado as que teceu durante anos. Vasculha tudo e descobre o vestido de noiva com cheiro de guardado. Um vestido preto de cambraia, com tiras bordadas coloridas no seu barrado, confeccionado para o dia seu velório. Um decote generoso que dispensava sutiãs.&lt;br /&gt;Veste aquela indumentária, calça as sandálias de couro rasteirinhas (ou rasteirinhas de coro?), e vai para a igrejinha do povoado.&lt;br /&gt;Ajoelha-se em frente ao altar, faz o sinal da cruz e roga a Deus pelo seu amado.&lt;br /&gt;Mestiça está lá até hoje na igrejinha, cumprindo promessa para o advento do amado que ela nem conhece. Vez por outra percebe o vulto de Penélope passando em frente ao altar. “Êta mundo complicado! Quero me encontrar com Narciso pra devolver aquele espelho besta”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6596138590224138403-7682288841648210057?l=armazemdeversos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://armazemdeversos.blogspot.com/feeds/7682288841648210057/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6596138590224138403&amp;postID=7682288841648210057' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6596138590224138403/posts/default/7682288841648210057'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6596138590224138403/posts/default/7682288841648210057'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://armazemdeversos.blogspot.com/2011/05/mestica.html' title='A Mestiça'/><author><name>Armazém de Versos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01728499791261991678</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_BOcqcbcj2-I/SONtQTt8wLI/AAAAAAAAAAM/nTvctQ100Vg/S220/DSC06211.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6596138590224138403.post-4685959577693547491</id><published>2011-05-19T07:02:00.001-07:00</published><updated>2011-05-19T07:03:07.447-07:00</updated><title type='text'>Só mulher sabe mentir - Xico Sá</title><content type='html'>Que diferença da mulher o homem tem? Espere ai que vou dizer, meu bem. Aproveito a epígrafe à Jacson do Pandeiro para explorar, na obrigação de reles cronista de costumes, o pecado da mentira, essa obviedade mais velha que a palavra e a saliva.&lt;br /&gt;Porque dele ninguém escapa. É o mais ecumênico e democrático. Por pensamentos, obras e omissões. Somos amorosamente corruptos, repito um velho mantra.&lt;br /&gt;Com os meios virtuais, meu glorioso São Tomé, ai é que a mentira alonga suas pernas de centopeia mesmo. Para dar conta da sua nova amplitude, teria que ser revisto e ampliado o mandamento específico das tábuas sagradas.&lt;br /&gt;Mas que diferença da mulher o homem tem? Como em quase tudo na vida, as fêmeas são mais sofisticadas, labirínticas, possuem a arte da burla e das ilusões mais afiladas. O macho abusa amadoristicamente, como se fosse um recurso tão natural quanto a água e o óleo de peroba.&lt;br /&gt;Até os melhores exemplares da raça masculina cometem as suas trapaças, dissimulações, subterfúgios, maquiagens na face da quase sempre insuportável realidade. Do presidente da corte superiora ao trombadinha. A diferença é que uns ainda coram, enquanto outros nem se incomodam com as faces infestadas pelos cupins do moralismo.&lt;br /&gt;Todo esse lero-lero para dizer que folheei dia desses, na espera do dentista, “101 mentiras que os homens contam _e por que elas acreditam” (ed. Ediouro), da norte-americana Dory Hollander, um clássico da psicologia vagabunda.Aliás, nem no dentista foi, o fato deu-se no consultório do homeopata, quer dizer, no psiquiatra...&lt;br /&gt;Minto. Comprei mesmo o livro no sebo, por dever de ofício, e o devorei feito traça. Que mentira que lorota boa, seu intelectual de meia tigela, seu Zelig, que fica inventando desculpa para as leituras mais banais.&lt;br /&gt;Dane-se, comprei, li e gostei, pronto. Melhor assim. E quer saber, é um clássico. Dona Hollander fez uma pesquisa séria, ouvindo muita gente, sobre nossas mentiras, nem sempre sinceras, e nossas piores promessas.&lt;br /&gt;Vai de um inocente "estou cansado demais" a um irresponsável "eu te amo" -dito na hora errada à mulher errada, no lugar errado. Começo, meio e fim e a nossa cuca ruim, como na canção do príncipe Ronnie Von.&lt;br /&gt;Por que elas acreditam, então? A psicóloga arrisca respostas: as mulheres acham que ceticismo e romantismo não podem andar juntos, sob pena de estragar as coisas.&lt;br /&gt;Dona Hollander nos separa em dois blocos: os perigosos e, digamos, aéticos, que abusam da mentira, que enganam por "esporte e lucro", de forma inescrupulosa; os mentirosos ocasionais, que se mostram dissimulados sob pressão e desviam a realidade com pequenas lorotas, artifícios para se livrar da "fúria feminina".&lt;br /&gt;Nessa categoria estão também aqueles que poderíamos chamar de canalhas líricos, categoria aqui já tratada, galanteadores como o personagem Bertrand, do filme "O homem que amava as mulheres", do xará Truffaut.&lt;br /&gt;Dublês de d. Juans, os Bertrands apenas enfeitam, douram a realidade nas suas peregrinações em busca das crias das suas costelas.&lt;br /&gt;Algumas das 101 melhores e mais ingênuas mentiras ditas para as moças:&lt;br /&gt;"As únicas fantasias sexuais que tenho são com você".&lt;br /&gt;"Você é maravilhosa, merece alguém melhor do que eu".&lt;br /&gt;"Relaxe, é apenas uma amiga".&lt;br /&gt;"Vou deixar minha mulher".&lt;br /&gt;"O que me atrai em você é a sua mente".Etc,etc, ad infinutum.&lt;br /&gt;E você, descarado rapaz, e você, doce rapariga em flor, consegue viver sem mentir? Não? Então conta uma aí pra mim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6596138590224138403-4685959577693547491?l=armazemdeversos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://armazemdeversos.blogspot.com/feeds/4685959577693547491/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6596138590224138403&amp;postID=4685959577693547491' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6596138590224138403/posts/default/4685959577693547491'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6596138590224138403/posts/default/4685959577693547491'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://armazemdeversos.blogspot.com/2011/05/so-mulher-sabe-mentir-xico-sa.html' title='Só mulher sabe mentir - Xico Sá'/><author><name>Armazém de Versos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01728499791261991678</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_BOcqcbcj2-I/SONtQTt8wLI/AAAAAAAAAAM/nTvctQ100Vg/S220/DSC06211.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6596138590224138403.post-721679451873588723</id><published>2011-05-19T06:58:00.001-07:00</published><updated>2011-05-19T07:00:23.966-07:00</updated><title type='text'>De sexo e ginástica</title><content type='html'>“Trepem mais, como se diz no Brasil, vivam mais intensamente, dramaticamente, não se tornem escravos da virtualidade” - escritor cubano Pedro Juan Gutiérrez.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6596138590224138403-721679451873588723?l=armazemdeversos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://armazemdeversos.blogspot.com/feeds/721679451873588723/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6596138590224138403&amp;postID=721679451873588723' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6596138590224138403/posts/default/721679451873588723'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6596138590224138403/posts/default/721679451873588723'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://armazemdeversos.blogspot.com/2011/05/de-sexo-e-ginastica.html' title='De sexo e ginástica'/><author><name>Armazém de Versos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01728499791261991678</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_BOcqcbcj2-I/SONtQTt8wLI/AAAAAAAAAAM/nTvctQ100Vg/S220/DSC06211.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6596138590224138403.post-4943293794876803257</id><published>2011-05-16T17:23:00.000-07:00</published><updated>2011-05-16T17:30:48.688-07:00</updated><title type='text'>Que lÍndio!!!</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-m-RrP3T-Jv8/TdHA0UqTJlI/AAAAAAAAAC4/qJUrk1NArBk/s1600/DSCI0842.JPG"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 240px; DISPLAY: block; HEIGHT: 320px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5607475016184833618" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-m-RrP3T-Jv8/TdHA0UqTJlI/AAAAAAAAAC4/qJUrk1NArBk/s320/DSCI0842.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Índio da tribo Kraô - O ancião e o menino entre a sorte e o destino. O planeta será governado pelo silvículas, na nova ordem mundial...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6596138590224138403-4943293794876803257?l=armazemdeversos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://armazemdeversos.blogspot.com/feeds/4943293794876803257/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6596138590224138403&amp;postID=4943293794876803257' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6596138590224138403/posts/default/4943293794876803257'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6596138590224138403/posts/default/4943293794876803257'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://armazemdeversos.blogspot.com/2011/05/que-lindio.html' title='Que lÍndio!!!'/><author><name>Armazém de Versos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01728499791261991678</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_BOcqcbcj2-I/SONtQTt8wLI/AAAAAAAAAAM/nTvctQ100Vg/S220/DSC06211.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-m-RrP3T-Jv8/TdHA0UqTJlI/AAAAAAAAAC4/qJUrk1NArBk/s72-c/DSCI0842.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6596138590224138403.post-3511736688217484826</id><published>2011-05-11T12:55:00.000-07:00</published><updated>2011-05-13T13:28:00.432-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-SQLxQULswaA/TcrpkQQ38sI/AAAAAAAAACw/waBvKOy0Vyo/s1600/DSCI0879.JPG"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 300px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5605549495266308802" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-SQLxQULswaA/TcrpkQQ38sI/AAAAAAAAACw/waBvKOy0Vyo/s400/DSCI0879.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6596138590224138403-3511736688217484826?l=armazemdeversos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://armazemdeversos.blogspot.com/feeds/3511736688217484826/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6596138590224138403&amp;postID=3511736688217484826' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6596138590224138403/posts/default/3511736688217484826'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6596138590224138403/posts/default/3511736688217484826'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://armazemdeversos.blogspot.com/2011/05/blog-post.html' title=''/><author><name>Armazém de Versos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01728499791261991678</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_BOcqcbcj2-I/SONtQTt8wLI/AAAAAAAAAAM/nTvctQ100Vg/S220/DSC06211.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-SQLxQULswaA/TcrpkQQ38sI/AAAAAAAAACw/waBvKOy0Vyo/s72-c/DSCI0879.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6596138590224138403.post-6773473818024455510</id><published>2011-05-11T12:51:00.000-07:00</published><updated>2011-05-13T13:28:00.504-07:00</updated><title type='text'>Caixa de rascunho</title><content type='html'>&lt;p&gt;Ctrl A pra abrir o poema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ctrl B pra salvar a valsa&lt;br /&gt;nas costelas do piano&lt;br /&gt;que tudo drena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ctrl C pra copiar&lt;br /&gt;o corpo do texto&lt;br /&gt;em caixa oculta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ctrl P pra imprimir&lt;br /&gt;as digitais de sangue&lt;br /&gt;do plágio de minhas mãos vazias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ctrl O pra tentar o novo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ctrl V pra vê se cola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O poema na lixeira cheira mal&lt;br /&gt;o cadáver das palavras&lt;br /&gt;ocas jogadas às moscas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ctrl Alt Del&lt;br /&gt;tarefa finaliza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deleta tudo&lt;br /&gt;reinicia que a vida é renúncia&lt;br /&gt;rascunho que se avalia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6596138590224138403-6773473818024455510?l=armazemdeversos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://armazemdeversos.blogspot.com/feeds/6773473818024455510/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6596138590224138403&amp;postID=6773473818024455510' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6596138590224138403/posts/default/6773473818024455510'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6596138590224138403/posts/default/6773473818024455510'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://armazemdeversos.blogspot.com/2011/05/caixa-de-rascunho.html' title='Caixa de rascunho'/><author><name>Armazém de Versos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01728499791261991678</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_BOcqcbcj2-I/SONtQTt8wLI/AAAAAAAAAAM/nTvctQ100Vg/S220/DSC06211.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6596138590224138403.post-5733584541960585607</id><published>2011-05-11T12:47:00.000-07:00</published><updated>2011-05-13T13:28:00.572-07:00</updated><title type='text'>Álamo no avesso do espelho</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-xksncNELXAo/TcrnqpsW18I/AAAAAAAAACo/dGxeU2WlFF0/s1600/DSCI0612.JPG"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 300px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5605547406148425666" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-xksncNELXAo/TcrnqpsW18I/AAAAAAAAACo/dGxeU2WlFF0/s400/DSCI0612.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6596138590224138403-5733584541960585607?l=armazemdeversos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://armazemdeversos.blogspot.com/feeds/5733584541960585607/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6596138590224138403&amp;postID=5733584541960585607' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6596138590224138403/posts/default/5733584541960585607'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6596138590224138403/posts/default/5733584541960585607'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://armazemdeversos.blogspot.com/2011/05/alamo-no-avesso-do-espelho.html' title='Álamo no avesso do espelho'/><author><name>Armazém de Versos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01728499791261991678</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_BOcqcbcj2-I/SONtQTt8wLI/AAAAAAAAAAM/nTvctQ100Vg/S220/DSC06211.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-xksncNELXAo/TcrnqpsW18I/AAAAAAAAACo/dGxeU2WlFF0/s72-c/DSCI0612.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6596138590224138403.post-2321730651392022567</id><published>2011-04-25T10:44:00.000-07:00</published><updated>2011-05-16T17:23:17.840-07:00</updated><title type='text'>A boca imatura de Édipo</title><content type='html'>&lt;p style="FONT-STYLE: italic; FONT-WEIGHT: bold" class="MsoNormal"&gt;Gilson Cavalcante – abril/2011 &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="COLOR: rgb(153,0,0)" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Martelos desmantelam tábuas&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="COLOR: rgb(153,0,0)" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;para a hora da crucificação.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="COLOR: rgb(153,0,0)" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="COLOR: rgb(153,0,0)" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Pregos como tabuadas&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="COLOR: rgb(153,0,0)" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;para a construção da nova ordem&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="COLOR: rgb(153,0,0)" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;de pagar os pecados.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="COLOR: rgb(153,0,0)" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="COLOR: rgb(153,0,0)" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Em que cruz o nosso corpo?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="COLOR: rgb(153,0,0)" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Em que cálice nosso sangue?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="COLOR: rgb(153,0,0)" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="COLOR: rgb(153,0,0)" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;As coisas indizíveis nos armários&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="COLOR: rgb(153,0,0)" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;são o visgo das mangabas&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="COLOR: rgb(153,0,0)" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;na elasticidade do vazio.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="COLOR: rgb(153,0,0)" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="COLOR: rgb(153,0,0)" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Minha infância ainda nos confessionários &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="COLOR: rgb(153,0,0)" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="COLOR: rgb(204,0,0)" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;A construção de mim&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="COLOR: rgb(204,0,0)" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;não está no concreto&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="COLOR: rgb(204,0,0)" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;mas no sopro de todas as ausências.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="COLOR: rgb(204,0,0)" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="COLOR: rgb(204,0,0)" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;O tempo é minha morada&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="COLOR: rgb(204,0,0)" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;antes de tudo, o nada&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="COLOR: rgb(204,0,0)" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;onde os deuses fabricam o não-ser&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="COLOR: rgb(204,0,0)" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;pela via – láctea dos seios&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="COLOR: rgb(204,0,0)" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;na boca imatura de Édipo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6596138590224138403-2321730651392022567?l=armazemdeversos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://armazemdeversos.blogspot.com/feeds/2321730651392022567/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6596138590224138403&amp;postID=2321730651392022567' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6596138590224138403/posts/default/2321730651392022567'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6596138590224138403/posts/default/2321730651392022567'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://armazemdeversos.blogspot.com/2011/04/boca-imatura-de-edipo.html' title='A boca imatura de Édipo'/><author><name>Armazém de Versos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01728499791261991678</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' 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Versos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01728499791261991678</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_BOcqcbcj2-I/SONtQTt8wLI/AAAAAAAAAAM/nTvctQ100Vg/S220/DSC06211.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-KGLvBuHBTSg/TbWx2C5EvRI/AAAAAAAAACg/5v-zNIWzBUs/s72-c/Poema3.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6596138590224138403.post-3013860759307921058</id><published>2011-04-25T10:37:00.000-07:00</published><updated>2011-04-25T10:38:30.509-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/-dyhrZOU_ecg/TbWxjifn4BI/AAAAAAAAACY/NDklWDp1ZZQ/s1600/Poema2.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 219px; height: 320px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-dyhrZOU_ecg/TbWxjifn4BI/AAAAAAAAACY/NDklWDp1ZZQ/s320/Poema2.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5599576935818059794" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6596138590224138403-3013860759307921058?l=armazemdeversos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://armazemdeversos.blogspot.com/feeds/3013860759307921058/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6596138590224138403&amp;postID=3013860759307921058' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6596138590224138403/posts/default/3013860759307921058'/><link rel='self' type='application/atom+xml' 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{parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/-0qYQuzdT4Y4/TbWxH5UaBTI/AAAAAAAAACQ/3PaOStHvSmE/s1600/Poema.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 229px; height: 320px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-0qYQuzdT4Y4/TbWxH5UaBTI/AAAAAAAAACQ/3PaOStHvSmE/s320/Poema.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5599576460908692786" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6596138590224138403-7082328692018798973?l=armazemdeversos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://armazemdeversos.blogspot.com/feeds/7082328692018798973/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6596138590224138403&amp;postID=7082328692018798973' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6596138590224138403/posts/default/7082328692018798973'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6596138590224138403/posts/default/7082328692018798973'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://armazemdeversos.blogspot.com/2011/04/blog-post.html' title=''/><author><name>Armazém de Versos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01728499791261991678</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_BOcqcbcj2-I/SONtQTt8wLI/AAAAAAAAAAM/nTvctQ100Vg/S220/DSC06211.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-0qYQuzdT4Y4/TbWxH5UaBTI/AAAAAAAAACQ/3PaOStHvSmE/s72-c/Poema.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6596138590224138403.post-2943373596439006918</id><published>2011-04-24T07:54:00.000-07:00</published><updated>2011-04-24T08:07:34.223-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6596138590224138403-2943373596439006918?l=armazemdeversos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://armazemdeversos.blogspot.com/feeds/2943373596439006918/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6596138590224138403&amp;postID=2943373596439006918' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6596138590224138403/posts/default/2943373596439006918'/><link rel='self' 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/&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;por&lt;br /&gt;&lt;a href="http://sites.uol.com.br/fredbar/"&gt;Frederico Barbosa&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;  Uma vida e muitas invenções&lt;br /&gt;        Ao escrever sobre Fernando Pessoa, o poeta mexicano Octavio Paz declara que “os poetas não têm biografia. Sua obra é sua biografia”. Afirma ainda, que, no caso de Pessoa, “nada em sua vida é surpreendente -- nada, exceto seus poemas.”  Homem de vida pública modesta, Fernando Pessoa dedicou-se a inventar. Através da poesia, criou outras vidas, despertando, assim, o interesse por sua própria vida tão pacata. Tornou-se, portanto, o enigma em pessoa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        Nascido em Lisboa, no dia 13 de junho de 1888, Fernando Pessoa perdeu o pai aos cinco anos de idade. Em 1896, a família se transfere, levada pelo segundo marido de sua mãe, para a cidade de Durban, na África do Sul. Lá, cursa o secundário, cedo revelando seu pendor para a literatura. Em 1903, ingressa na Universidade do Cabo.  &lt;br /&gt;          Fernando Pessoa, educado em inglês, adquiriu o gosto pela poesia lendo Milton, Byron, Shelley, Edgar Allan Poe e outros poetas de língua inglesa.         Deixando a família em Durban, o jovem estudante, que até pensava em inglês, retorna a Portugal. Fernando Pessoa matricula-se, então, no Curso Superior de Letras, que logo abandona, e entra em contato com os grandes escritores da língua portuguesa. Impressiona-se sobremaneira com os sermões do Padre Antônio Vieira (1608-1697) e particularmente com a obra de Cesário Verde (1855-1886), Em 1908 começa a trabalhar como tradutor de cartas comerciais para empresas estrangeiras. Deste emprego modesto tirará o sustento durante toda a vida. Boêmio, encontra-se com os amigos em cafés, especialmente a "Brasileira do Chiado" para discutir literatura. Em 1912 conhece o poeta Mário de Sá-Carneiro (1890 - 1916), de quem se tornaria  grande amigo. Em Paris, no dia 26 de abril de 1916, Sá-Carneiro, após escrever cartas angustiadas a Fernando Pessoa, comete o suicídio.         A revista Orpheu, fundada em 1915 por Fernando Pessoa, Mário de Sá Carneiro, e outros amigos, como Almada Negreiros e Luís de Montalvor,  representa o marco inicial do Modernismo em Portugal.         Após a notoriedade, nem sempre positiva, adquirida com a publicação de Orpheu, Pessoa mergulha em anos de relativa obscuridade. Publica um pequeno volume de poemas em inglês, Antinuos and 35 Sonnets (1918), ensaios e poemas esporádicos em algumas revistas, funda outras, envolve-se com o ocultismo e a magia negra, dedica-se ao estudo da astrologia. Em 1934 publica, tomando dinheiro emprestado, o livro Mensagem, e com ele participa do prêmio "Antero de Quental". Recebe o prêmio de Categoria B. No dia 30 de novembro de 1935, morre de cirrose hepática.         Fernando Pessoa nunca teve, em vida, o reconhecimento que merecia. Viveu modestamente, em relativa obscuridade. Em vida, teve apenas dois livros publicados: alguns poemas em inglês e Mensagem.   Os heterônimos  &lt;br /&gt;            Desde cedo, Fernando Pessoa inventara seus companheiros. Ainda em Durban, imagina os heterônimos Charles Robert Anon e H. M. F. Lecher. Cria também o especialista em palavras cruzadas Alexander Search e outras figuras menores. Mas seria no dia  8 de março de 1914 que os heterônimos começariam a aparecer com toda a força. Neste dia, Pessoa escreve, de uma só vez, os 49 poemas de O Guardador de Rebanhos, de Alberto Caeiro. Como resposta, escreve também os seis poemas de Chuva Oblíqua,  que assina com seu próprio nome. Logo, inventaria Álvaro de Campos e, em junho do mesmo ano, Ricardo Reis. Um semi-heterônimo de Pessoa, Bernardo Soares, só em 1982 teve sua obra, O Livro do Desassossego, composta por fragmentos de prosa poética, publicada.         Álvaro de Campos e Ricardo Reis, assim como o próprio Pessoa, consideravam-se discípulos de Alberto Caeiro, mas cada um seguiu os ensinamentos do mestre à sua forma, e chegaram até a travar uma polêmica muito interessante sobre o fazer poético.         A última frase de Fernando Pessoa foi escrita em inglês no dia de sua morte:&lt;br /&gt;“I know not what tomorrow will bring” ou “Eu não sei o que o amanhã trará”&lt;br /&gt;        O amanhã trouxe para Fernando Pessoa uma admiração crescente. Suas obras foram aos poucos sendo publicadas e ele é considerado hoje, ao lado de Camões, um dos dois maiores poetas portugueses de todos os tempos. Nenhum poeta, em língua portuguesa, obteve tanto prestígio em todo o mundo. O obscuro e modesto lisboeta tornou-se, assim, um nome importante em todo o mundo. Graças ao poder da palavra. Graças à magia da poesia.   Pessoa e os heterônimos  &lt;br /&gt;          Mais do que meros pseudônimos, outros nomes com os quais um autor assina sua obra, os heterônimos são invenções de personagens completos, que têm uma biografia própria, estilos literários diferenciados, e que produzem uma obra paralela à do seu criador. Fernando Pessoa criou várias dessas personagens. Três deles foram excelentes poetas e seus poemas estão nesta antologia, lado a lado com os que Pessoa assinava com seu próprio nome. Os estudiosos seguem discutindo por que Pessoa teria criado seus heterônimos. Seria esquizofrenia? Psicografia? Uma grande piada? Um genial jogo de marketing poético? De certo, sabemos que a genialidade de Fernando Pessoa é grande demais para caber em um só poeta. Como bem o sintetizou o seu heterônimo mais atribulado, Álvaro de Campos:&lt;br /&gt;"Quanto mais eu sinta, quanto mais eu sinta como várias pessoas, Quanto mais personalidades eu tiver, Quanto mais intensamente, estridentemente as tiver, Quanto mais simultaneamente sentir com todas elas, Quanto mais unificadamente diverso, dispersadamente atento, Estiver, sentir, viver, for, Mais possuirei a existência total do universo, Mais completo serei pelo espaço inteiro fora."&lt;br /&gt;        Além disso, Fernando Pessoa viveu durante os primórdios do Modernismo, uma época em que a arte se fragmentava em várias tendências simultâneas, as chamadas Vanguardas: Futurismo, Cubismo, Expressionismo, Dadaísmo, Surrealismo e muitas outras.         A arte, no momento da explosão das inúmeras vanguardas modernistas por todo o mundo, também se dividia e se multiplicava. Fernando Pessoa, introdutor das vanguardas modernistas em Portugal, ao se dividir, levou a fragmentação da arte moderna às últimas conseqüências.  &lt;br /&gt;            Alberto Caeiro (1889 - 1915)&lt;br /&gt;          Fernando Pessoa explicou em detalhes a “vida”de cada um de seus heterônimos. Assim apresenta a vida do mestre de todos, Alberto Caeiro:&lt;br /&gt;        "Nasceu em Lisboa, mas viveu quase toda a sua vida no campo. Não teve profissão, nem educação quase alguma, só instrução primária; morreram-lhe cedo o pai e a mãe, e deixou-se ficar em casa, vivendo de uns pequenos rendimentos. Vivia com uma tia velha, tia avó. Morreu tuberculoso."&lt;br /&gt;        Pessoa cria uma biografia para Caeiro que se encaixa com perfeição à sua poesia, como podemos observar nos 49 poemas da série O Guardador de Rebanhos, incluída por inteiro nesta antologia. Segundo Pessoa, foram escritos na noite de 8 de março de 1914, de um só fôlego, sem interrupções. Esse processo criativo espontâneo traduz exatamente a busca fundamental de Alberto Caeiro: completa  naturalidade.&lt;br /&gt; “Eu não tenho filosofia: tenho sentidos...    Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é.    Mas porque a amo, e amo-a por isso,    Porque quem ama nunca sabe o que ama    Nem por que ama, nem o que é amar...”&lt;br /&gt;        Caeiro escreve com a linguagem simples e o vocabulário limitado de um poeta camponês pouco ilustrado. Pratica o realismo sensorial, numa atitude de rejeição às elucubrações da poesia simbolista.         Assim, constantemente opõe à metafísica o desejo de não pensar. Faz da oposição à reflexão a matéria básica das suas reflexões. Esse paradoxo aproxima-o da atitude zen-budista de pensar para não pensar, desejar não desejar:&lt;br /&gt;   “Metafísica? Que metafísica têm aquelas árvores?    A de serem verdes e copadas e de terem ramos    E a de dar fruto na sua hora, o que não nos faz pensar,    A nós, que não sabemos dar por elas.    Mas que melhor metafísica que a delas,    Que é a de não saber para que vivem    Nem saber que o não sabem?”&lt;br /&gt;        Caeiro coloca-se, portanto, como inimigo do misticismo, que pretende ver “mistérios” por trás de todas as coisas. Busca precisamente o contrário: ver as coisas como elas são, sem refletir sobre elas e sem atribuir a elas significados ou sentimentos humanos:&lt;br /&gt;“Os poetas místicos são filósofos doentes,   E os filósofos são homens doidos.&lt;br /&gt;  Porque os poetas místicos dizem que as flores sentem   E dizem que as pedras têm alma   E que os rios têm êxtases ao luar.&lt;br /&gt;  Mas as flores, se sentissem, não eram flores,   Eram gente;   E se as pedras tivessem alma, eram coisas vivas, não eram pedras;   E se os rios tivessem êxtases ao luar,   Os rios seriam homens doentes.”&lt;br /&gt;        É importante lembrar que os poetas simbolistas, que antecederam Fernando Pessoa, estavam impregnados de forte misticismo, herdado da poesia romântica. Enquanto românticos e simbolistas carregavam seus poemas de religiosidade, Alberto Caeiro procura, de forma coerente e lógica, afastar-se da reflexão sobre Deus.&lt;br /&gt; “Pensar em Deus é desobedecer a Deus,    Porque Deus quis que o não conhecêssemos,    Por isso se nos não mostrou...”&lt;br /&gt;        Seguindo esta linha de pensamento religioso, Caeiro escreve um poema muito ousado sobre o menino Jesus. No poema VIII de O Guardador de Rebanhos, destituído de santidade, Cristo é representado como uma criança normal: espontânea, levada, brincalhona e alegre. Nisso, está a religiosidade de Caeiro.         Em perfeita consonância com sua busca de simplicidade e espontaneidade, Alberto Caeiro escreve versos livres (sem métrica regular) e brancos (sem rimas).  &lt;br /&gt;           Ricardo Reis (1887 - 1935?)&lt;br /&gt;          Se Alberto Caeiro era um camponês autodidata desprovido de erudição, seu discípulo Ricardo Reis era um erudito que insistia na defesa dos valores tradicionais, tanto na literatura quanto na política. De acordo com Pessoa:&lt;br /&gt;        "Ricardo Reis nasceu no Porto. Educado em colégio de jesuítas, é médico e vive no Brasil desde 1919, pois expatriou-se espontaneamente por ser monárquico. É latinista por educação alheia, e um semi-helenista por educação própria."&lt;br /&gt;        Discípulo de Caeiro, Reis retoma o fascínio do mestre pela natureza pelo viés do neoclassicismo. Insiste nos clichês árcades do Locus Amoenus (local ameno) e do Carpe Diem (aproveitar o momento).         Neoclássico, Reis busca o equilíbrio, a "Aurea Mediocritas" ( equilíbrio de ouro) tão prezada pelos poetas do século XVIII. A busca da espontaneidade de Caeiro transforma-se em Reis, na procura do equilíbrio contido dos clássicos. Deixa de ser uma simplicidade natural e passa a ser estudada, forjada através do intelecto:&lt;br /&gt;     “Para ser grande, sê inteiro: nada&lt;br /&gt;    Teu exagera ou exclui.&lt;br /&gt;                      Sê todo em cada coisa. Põe quanto és&lt;br /&gt;    No mínimo que fazes.&lt;br /&gt;                      Assim como em cada lago a lua toda&lt;br /&gt;    Brilha, porque alta vive.”&lt;br /&gt;        A linguagem de Ricardo Reis é clássica. Usa um vocabulário erudito e, muito apropriadamente, seus poemas são metrificados e apresentam uma sintaxe rebuscada.     Os poemas de Reis são odes, poemas líricos de tom alegre e entusiástico, cantados pelos gregos, ao som de cítaras ou flautas, em estrofes regulares e variáveis. Nelas, convida pastoras como Lídia, Neera ou Cloe para desfrutar de prazeres contemplativos e regrados:&lt;br /&gt;   "Prazer, mas devagar,     Lídia, que a sorte àqueles não é grata     Que lhe das mãos arrancam.     Furtivos, retiremos do horto mundo     Os deprendandos pomos."&lt;br /&gt;        As odes de Reis, como as de Píndaro, recorrem sempre aos deuses da mitologia grega. Este paganismo, de caráter erudito, afasta-se da convicção de Alberto Caeiro de que não se deve pensar em Deus. Para Ricardo Reis, os deuses estão acima de tudo e controlam  o destino dos homens:&lt;br /&gt;  "Acima da verdade estão os deuses.     Nossa ciência é uma falhada cópia     Da certeza com que eles     Sabem que há o Universo.  &lt;br /&gt;          Álvaro de Campos (1890 - 1935?)&lt;br /&gt;          Fernando Pessoa nos informa que Álvaro de Campos:&lt;br /&gt;        “Nasceu em Tavira, teve uma educação vulgar de Liceu; depois foi mandado para a Escócia estudar engenharia, primeiro mecânica e depois naval. Numas férias fez a viagem ao Oriente de onde resultou o Opiário. Agora está aqui em Lisboa em inatividade."&lt;br /&gt;        Como normalmente acontece com os poetas de carne e osso, o heterônimo Álvaro de Campos apresenta três fases distintas em sua poesia. De início é influenciado pelo decadentismo simbolista, depois pelo futurismo e por fim, amargurado, escreve poemas pessimistas e desiludidos.         No poema Opiário, o engenheiro Campos, influenciado pelo simbolismo, ainda metrifica e rima. Escreve quadras, estrofes de quatro versos, de teor autobiográfico e já se apresenta amargurado e insatisfeito:&lt;br /&gt;   "Eu fingi que estudei engenharia.     Vivi na Escócia. Visitei a Irlanda.     Meu coração é uma avozinha que anda     Pedindo esmolas às portas da alegria."&lt;br /&gt;        Campos em seguida envereda pelo futurismo, adotando um estilo febril, entre as máquinas e a agitação da cidade, do que resultam poemas como Ode Triunfal:&lt;br /&gt; "À dolorosa luz das lâmpadas elétricas da fábrica    Tenho febre e escrevo.    Escrevo rangendo os dentes, fera para a beleza disto,    Para a beleza disto totalmente desconhecida dos antigos."&lt;br /&gt;        Desta fase são também a Ode Marítima e a Saudação a Walt Whitman. Homenageando o grande escritor norte-americano, Campos, além de se referir ao conhecido homossexualismo de Whitman, de que parece comungar, revela uma das mais fortes influências sobre o seu estilo:         Os poemas de Álvaro de Campos são marcados pela oralidade e pela prolixidade que se espalha em versos longos, próximos da prosa. Despreza a rima ou métrica regular. Despeja seus versos em torrentes de incontrolável desabafo.         A última fase do heterônimo Álvaro de Campos, em que pontifica o poema Tabacaria, apresenta um poeta amargurado, refletindo de forma pessimista e desiludida sobre a existência:&lt;br /&gt; "Não sou nada.    Nunca serei nada.    Não posso querer ser nada.    À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo."&lt;br /&gt;        Assim como Ricardo Reis, também Álvaro de Campos confessa-se discípulo de Alberto Caeiro. Mas se Reis envereda pelo neoclassicismo ao tentar imitar o mestre, Campos se revela inquieto e frustrado por não conseguir seguir os preceitos de Caeiro. No poema que se inicia pelo verso "Mestre, meu mestre querido", dialoga com Caeiro, revelando toda sua angústia:&lt;br /&gt; "Meu mestre, meu coração não aprendeu a tua serenidade.    Meu coração não aprendeu nada.    (...)    A calma que tinhas, deste-ma, e foi-me inquietação." &lt;br /&gt;        Fernando Pessoa, ele mesmo&lt;br /&gt;          A obra que Fernando Pessoa assinou com seu próprio nome está reunida nos volumes Cancioneiro e Mensagem.         O Cancioneiro é composto por poemas líricos, rimados e metrificados, de forte influência simbolista. É do Cancioneiro um dos poemas mais célebres de Pessoa, Autopsicografia, em que reflete sobre o fazer poético:    &lt;br /&gt;      "O poeta é um fingidor.&lt;br /&gt;Finge tão completamente Que chega a fingir que é dor A dor que deveras sente.&lt;br /&gt;E os que lêem o que escreve, Na dor lida sentem bem, Não as duas que ele teve, Mas só a que eles não têm."&lt;br /&gt;          O leitor atento há de perceber que o poeta parte de uma dor sua, real, integral. Só quem sente uma dor pode fingir outra que não sente. Só quem tem personalidade pode ser ator. Como Fernando Pessoa. Já os leitores, lêem no poema a dor ou o sentimento que lhes falta e que gostariam de ter. Sentem-na ao atribuí-la a poeta.         Mensagem (1934), foi o único livro em língua portuguesa publicado por Pessoa. Os poemas do livro estão organizados de forma a compor uma epopéia fragmentária, em que o conjunto dos textos líricos acaba formando um elogio de teor épico a Portugal. Traçando a história do seu país, Pessoa envereda por um nacionalismo místico de caráter sebastianista.         O livro Mensagem está dividido em três partes: Brasão, Mar português e O Encoberto. Na primeira, conta-se a história das glórias portuguesas. Na segunda, são apresentadas as navegações e conquistas marítimas de Portugal.  Na terceira, é apresentado o mito sebastianista de retorno de Portugal às épocas de glória.         A primeira parte de Mensagem, Brasão, se estrutura como o brasão português, que é formado por dois campos: um apresenta sete castelos, o outro, cinco quinas. No topo do brasão, estão a coroa e o timbre, que apresenta o grifo, animal mitológico que tem cabeça de leão e asas de águia. Assim se dividem os poemas desta parte, remetendo ao brasão de Portugal. Versam sobre as grandes figuras da história de Portugal, desde Dom Henrique, fundador do Condado Portucalenses, passando por sua esposa, Dona Tareja, e seu filho, primeiro rei de Portugal, Dom Afonso Henriques, até o infante Dom Henrique (1394-1460), fundador da Escola de Sagres e grande fomentador da expansão ultramarina portuguesa, e Afonso de Albuquerque (1462-1515), dominador português do Oriente. Até o mito de Ulisses, que teria fundado a cidade de Ulissepona, depois Lisboa, é apresentado:&lt;br /&gt;  "O mito é o nada que é tudo.     O mesmo sol que abre os céus     É um mito brilhante e mudo."&lt;br /&gt;        A segunda parte, Mar português, apresenta as principais etapas da expansão ultramarina que levou Portugal a ocupar um lugar de destaque no mundo durante os séculos XV e XVI:&lt;br /&gt;"E ao imenso e possível oceano Ensinam estas Quinas, que aqui vês, Que o mar com fim será grego ou romano: O mar sem fim é português."&lt;br /&gt;        Já a última parte, O Encoberto, apresenta o misticismo em torno da figura de Dom Sebastião, rei de Portugal cuja frota foi dizimada em ataque aos mouros em 1578. Muitas previsões, como a do sapateiro Bandarra e a do padre Antônio Vieira, prevêem o retorno de Dom Sebastião para resgatar o poderio de Portugal, criando o Quinto Império, marcando a supremacia de Portugal sobre o mundo:&lt;br /&gt;   "Grécia, Roma, Cristandade,     Europa, os quatro se vão     Para onde vai toda idade.     Quem vem viver a verdade     Que morreu dom Sebastião?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Primeiros anos em Lisboa&lt;br /&gt;&lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Fernando_Pessoa_Largo_Sao_Carlos.JPG"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a title="Ampliar" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Fernando_Pessoa_Largo_Sao_Carlos.JPG"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Largo de São Carlos.&lt;br /&gt;Às três horas e vinte minutos da tarde de &lt;a title="13 de Junho" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/13_de_Junho"&gt;13 de Junho&lt;/a&gt; de &lt;a title="1888" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/1888"&gt;1888&lt;/a&gt; nascia em &lt;a title="Lisboa" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Lisboa"&gt;Lisboa&lt;/a&gt; Fernando Pessoa. O parto ocorreu no quarto andar direito do n.º 4 do Largo de São Carlos, em frente à ópera de Lisboa (&lt;a title="Teatro Nacional de São Carlos" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Teatro_Nacional_de_S%C3%A3o_Carlos"&gt;Teatro de São Carlos&lt;/a&gt;). De famílias da pequena aristocracia, pelos lados paterno e materno, o pai, &lt;a title="Joaquim de Seabra Pessoa" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Joaquim_de_Seabra_Pessoa"&gt;Joaquim de Seabra Pessoa&lt;/a&gt; (38), natural de Lisboa, era funcionário público do Ministério da Justiça e crítico musical do «&lt;a title="Diário de Notícias" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Di%C3%A1rio_de_Not%C3%ADcias"&gt;Diário de Notícias&lt;/a&gt;». A mãe, &lt;a title="Maria Magdalena Pinheiro Nogueira" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Maria_Magdalena_Pinheiro_Nogueira"&gt;D. Maria Magdalena Pinheiro Nogueira Pessoa&lt;/a&gt; (26), era natural dos &lt;a title="Açores" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/A%C3%A7ores"&gt;Açores&lt;/a&gt; (mais propriamente, da &lt;a title="Ilha Terceira" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Ilha_Terceira"&gt;Ilha Terceira&lt;/a&gt;). Viviam com eles a avó Dionísia, doente mental, e duas criadas velhas, Joana e Emília.&lt;br /&gt;Fernando António foi baptizado em &lt;a title="21 de Julho" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/21_de_Julho"&gt;21 de Julho&lt;/a&gt; na Basílica dos Mártires, ao &lt;a title="Chiado" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Chiado"&gt;Chiado&lt;/a&gt;, tendo por padrinhos a Tia Anica (D. Ana Luísa Pinheiro Nogueira, tia materna) e o General Chaby. A escolha do nome homenageia &lt;a title="Santo António de Lisboa" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Santo_Ant%C3%B3nio_de_Lisboa"&gt;Santo António&lt;/a&gt;: a família reclamava uma ligação genealógica com Fernando de Bulhões, nome de baptismo de Santo António, tradicionalmente festejado em Lisboa a 13 de Junho, dia em que Fernando Pessoa nasceu.&lt;br /&gt;As suas infância e adolescência foram marcadas por factos que o influenciariam posteriormente. Às cinco horas da manhã de &lt;a title="24 de Julho" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/24_de_Julho"&gt;24 de Julho&lt;/a&gt; de &lt;a title="1893" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/1893"&gt;1893&lt;/a&gt;, o pai morreu, com 43 anos, vítima de &lt;a title="Tuberculose" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Tuberculose"&gt;tuberculose&lt;/a&gt;. A morte foi anunciada no Diário de Notícias do dia. Fernando tinha apenas cinco anos. O irmão Jorge viria a falecer no ano seguinte, sem completar um ano. A mãe vê-se obrigada a leiloar parte da mobília e muda-se para uma casa mais modesta, o terceiro andar do n.º 104 da Rua de São Marçal. Foi também neste período que surgiu o primeiro &lt;a title="Heterónimo" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Heter%C3%B3nimo"&gt;heterónimo&lt;/a&gt; de Fernando Pessoa, &lt;a title="Chevalier de Pas" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Chevalier_de_Pas"&gt;Chevalier de Pas&lt;/a&gt;, facto relatado pelo próprio a Adolfo Casais Monteiro, numa &lt;a title="wikisource:pt:Carta de Fernando Pessoa para Adolfo Casais Monteiro" href="http://en.wikisource.org/wiki/pt:Carta_de_Fernando_Pessoa_para_Adolfo_Casais_Monteiro"&gt;carta&lt;/a&gt; de 1935, em que fala extensamente sobre a origem dos heterónimos. Ainda no mesmo ano, escreve o primeiro poema, um verso curto com a infantil &lt;a title="Epígrafe" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Ep%C3%ADgrafe"&gt;epígrafe&lt;/a&gt; de &lt;a title="wikisource:pt:À Minha Querida Mamã" href="http://en.wikisource.org/wiki/pt:%C3%80_Minha_Querida_Mam%C3%A3"&gt;À Minha Querida Mamã&lt;/a&gt;. A mãe casa-se pela segunda vez em &lt;a title="1895" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/1895"&gt;1895&lt;/a&gt; por procuração, na Igreja de São Mamede, em Lisboa, com o comandante João Miguel Rosa, cônsul de Portugal em &lt;a title="Durban" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Durban"&gt;Durban&lt;/a&gt; (&lt;a title="África do Sul" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/%C3%81frica_do_Sul"&gt;África do Sul&lt;/a&gt;), que havia conhecido um ano antes. Em África, onde passa a maior parte da juventude e recebe educação inglesa, Pessoa viria a demonstrar desde cedo talento para a literatura.&lt;br /&gt;[&lt;a title="Editar seção: Juventude em Durban" href="http://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Fernando_Pessoa&amp;amp;action=edit&amp;amp;section=3"&gt;editar&lt;/a&gt;] Juventude em Durban&lt;br /&gt;&lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Casal_Fpessoa.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a title="Ampliar" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Casal_Fpessoa.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;O padrasto e a mãe.&lt;br /&gt;Em razão do casamento, viaja com a mãe para Durban, acompanhados por um tio-avô, Manuel Gualdino da Cunha, que voltaria para Lisboa no mês seguinte. Viajam no navio Funchal até à &lt;a title="Região Autónoma da Madeira" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Regi%C3%A3o_Aut%C3%B3noma_da_Madeira"&gt;Madeira&lt;/a&gt; e depois no paquete Inglês Hawarden Castle até ao &lt;a title="Cabo da Boa Esperança" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Cabo_da_Boa_Esperan%C3%A7a"&gt;Cabo da Boa Esperança&lt;/a&gt;. Faz a instrução primária na escola de freiras irlandesas da West Street, onde fez a primeira comunhão, e percorre em dois anos o equivalente a quatro.&lt;br /&gt;Em &lt;a title="1899" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/1899"&gt;1899&lt;/a&gt; ingressa no &lt;a title="Durban High School" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Durban_High_School"&gt;Liceu de Durban&lt;/a&gt;, onde permanecerá durante três anos e será um dos primeiros alunos da turma. No mesmo ano, cria o pseudónimo &lt;a title="Alexander Search" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Alexander_Search"&gt;Alexander Search&lt;/a&gt;, através do qual envia cartas a si mesmo. No ano de &lt;a title="1901" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/1901"&gt;1901&lt;/a&gt;, é aprovado com distinção no primeiro exame Cape School High Examination e escreve os primeiros poemas em inglês. Na mesma altura, morre sua irmã Madalena Henriqueta, de dois anos. Em &lt;a title="1901" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/1901"&gt;1901&lt;/a&gt; parte com a família para Portugal, para um ano de férias. No navio em que viajam, o paquete König, vem o corpo da irmã. Em Lisboa, mora com a família em Pedrouços e depois na Avenida de D. Carlos I, n.º 109, 3.º Esquerdo. Na capital portuguesa, nasce João Maria, quarto filho do segundo casamento da mãe de Pessoa. Viaja com a família à &lt;a title="Ilha Terceira" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Ilha_Terceira"&gt;Ilha Terceira&lt;/a&gt;, nos Açores, onde vive a família materna. Deslocam-se também a &lt;a title="Tavira" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Tavira"&gt;Tavira&lt;/a&gt; para visitar os parentes paternos. Nessa época, escreve o poema &lt;a title="wikisource:pt:Quando ela passa" href="http://en.wikisource.org/wiki/pt:Quando_ela_passa"&gt;Quando ela passa&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;Tendo de dividir a atenção da mãe com os filhos do casamento e com o padrasto, Pessoa isola-se, o que lhe propicia momentos de reflexão.&lt;br /&gt;Tendo recebido uma educação britânica, que lhe proporcionou um profundo contacto com a &lt;a title="Língua inglesa" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/L%C3%ADngua_inglesa"&gt;língua inglesa&lt;/a&gt;, os seus primeiros textos e estudos foram em inglês. Mantém contacto com a &lt;a title="Literatura inglesa" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Literatura_inglesa"&gt;literatura inglesa&lt;/a&gt; através de autores como &lt;a title="William Shakespeare" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/William_Shakespeare"&gt;Shakespeare&lt;/a&gt;, &lt;a title="Edgar Allan Poe" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Edgar_Allan_Poe"&gt;Edgar Allan Poe&lt;/a&gt;, &lt;a title="John Milton" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/John_Milton"&gt;John Milton&lt;/a&gt;, &lt;a title="Lord Byron" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Lord_Byron"&gt;Lord Byron&lt;/a&gt;, &lt;a title="John Keats" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/John_Keats"&gt;John Keats&lt;/a&gt;, &lt;a title="Percy Bysshe Shelley" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Percy_Bysshe_Shelley"&gt;Percy Shelley&lt;/a&gt;, &lt;a title="Alfred Tennyson" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Alfred_Tennyson"&gt;Alfred Tennyson&lt;/a&gt;, entre outros. O Inglês teve grande destaque na sua vida, trabalhando com o idioma quando, mais tarde, se torna correspondente comercial em Lisboa, além de o utilizar em alguns dos seus textos e traduzir trabalhos de poetas ingleses, como &lt;a title="wikisource:pt:O Corvo" href="http://en.wikisource.org/wiki/pt:O_Corvo"&gt;O Corvo&lt;/a&gt; e &lt;a title="wikisource:pt:Annabel Lee" href="http://en.wikisource.org/wiki/pt:Annabel_Lee"&gt;Annabel Lee&lt;/a&gt; de Edgar Allan Poe. Com excepção de &lt;a title="Mensagem (livro)" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Mensagem_(livro)"&gt;Mensagem&lt;/a&gt;, os únicos livros publicados em vida são os das colectâneas dos seus poemas ingleses: Antinous e 35 Sonnets e English Poems I - II e III, escritos entre &lt;a title="1918" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/1918"&gt;1918&lt;/a&gt; e &lt;a title="1921" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/1921"&gt;1921&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Pessoa_1894.gif"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a title="Ampliar" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Pessoa_1894.gif"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Pessoa aos seis anos.&lt;br /&gt;Fernando Pessoa permanece em Lisboa, enquanto todos — mãe, padrasto, irmãos e criada Paciência, que viera com ele — regressam a Durban. Volta sozinho para a África no vapor Herzog. Matricula-se na Durban Commercial School, escola comercial de ensino nocturno, enquanto de dia estuda as disciplinas humanísticas para entrar na universidade. Nesse período, tenta escrever &lt;a title="Conto" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Conto"&gt;contos&lt;/a&gt; em inglês, alguns dos quais com o pseudónimo de David Merrick, que deixa inacabados. Em &lt;a title="1903" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/1903"&gt;1903&lt;/a&gt;, candidata-se à Universidade do Cabo da Boa Esperança. Na prova de exame de admissão, não obtém boa classificação, mas tira a melhor nota entre os 899 candidatos no &lt;a title="Ensaio" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Ensaio"&gt;ensaio&lt;/a&gt; de estilo inglês. Recebe por isso o Queen Victoria Memorial Prize («Prémio Rainha Vitória»). Um ano depois, ingressa novamente na Durban High School, onde frequenta o equivalente a um primeiro ano universitário. Aprofunda a sua cultura, lendo clássicos ingleses e latinos. Escreve poesia e &lt;a title="Prosa" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Prosa"&gt;prosa&lt;/a&gt; em inglês, surgindo os heterónimos Charles Robert Anon e H. M. F. Lecher. Nasce a sua irmã Maria Clara. Publica no jornal do liceu um ensaio crítico intitulado Macaulay. Por fim, encerra os seus bem sucedidos estudos na África do Sul com o «Intermediate Examination in Arts», na Universidade, obtendo uma boa classificação.&lt;br /&gt;[&lt;a title="Editar seção: Volta definitiva a Portugal e início de carreira" href="http://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Fernando_Pessoa&amp;amp;action=edit&amp;amp;section=4"&gt;editar&lt;/a&gt;] Volta definitiva a Portugal e início de carreira&lt;br /&gt;&lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Pessoa10.b.gif"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a title="Ampliar" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Pessoa10.b.gif"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Retratado por João L. Roth&lt;br /&gt;Deixando a família em Durban, regressa definitivamente à capital portuguesa, sozinho, em &lt;a title="1905" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/1905"&gt;1905&lt;/a&gt;. Passa a viver com a avó Dionísia e as duas tias na Rua da Bela Vista, n.º 17. A mãe e o padrasto regressam também a Lisboa, durante um período de férias de um ano em que Pessoa volta a morar com eles. Continua a produção de poemas em inglês e, em &lt;a title="1906" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/1906"&gt;1906&lt;/a&gt;, matricula-se no &lt;a title="Curso Superior de Letras" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Curso_Superior_de_Letras"&gt;Curso Superior de Letras&lt;/a&gt; (actual &lt;a title="Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Faculdade_de_Letras_da_Universidade_de_Lisboa"&gt;Faculdade de Letras&lt;/a&gt; da &lt;a title="Universidade de Lisboa" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Universidade_de_Lisboa"&gt;Universidade de Lisboa&lt;/a&gt;), que abandona sem sequer completar o primeiro ano. É nesta época que entra em contacto com importantes escritores portugueses. Interessa-se pela obra de &lt;a title="Cesário Verde" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Ces%C3%A1rio_Verde"&gt;Cesário Verde&lt;/a&gt; e pelos sermões do &lt;a title="Padre António Vieira" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Padre_Ant%C3%B3nio_Vieira"&gt;Padre António Vieira&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;Em Agosto de &lt;a title="1907" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/1907"&gt;1907&lt;/a&gt;, morre a sua avó Dionísia, deixando-lhe uma pequena herança, com a qual monta uma pequena tipografia, na Rua da Conceição da Glória, 38-4.º, sob o nome de «Empreza Ibis — Typographica e Editora — Officinas a Vapor», que rapidamente faliu. A partir de &lt;a title="1908" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/1908"&gt;1908&lt;/a&gt;, dedica-se à tradução de correspondência comercial, uma actividade a que poderíamos dar o nome de "correspondente estrangeiro". Nessa profissão trabalha a vida toda, tendo uma modesta vida pública.&lt;br /&gt;Inicia a sua actividade de ensaísta e crítico literário com o artigo «A Nova Poesia Portuguesa Sociologicamente Considerada», a que se seguiriam «Reincidindo…» e «A Nova Poesia Portuguesa no Seu Aspecto Psicológico» publicados em &lt;a title="1912" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/1912"&gt;1912&lt;/a&gt; pela revista &lt;a title="A Águia" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/A_%C3%81guia"&gt;A Águia&lt;/a&gt;, órgão da &lt;a title="Renascença Portuguesa" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Renascen%C3%A7a_Portuguesa"&gt;Renascença Portuguesa&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;Pessoa é internado no dia &lt;a title="29 de Novembro" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/29_de_Novembro"&gt;29 de Novembro&lt;/a&gt; de &lt;a title="1935" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/1935"&gt;1935&lt;/a&gt;, no Hospital de São Luís dos Franceses, com diagnóstico de "cólica hepática", provavelmente uma &lt;a title="Colangite" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Colangite"&gt;colangite&lt;/a&gt; aguda causada por cálculo biliar e associada a &lt;a title="Cirrose hepática" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Cirrose_hep%C3%A1tica"&gt;cirrose hepática&lt;/a&gt; com origem no óbvio excesso de álcool ao longo da sua vida (a título de curiosidade: acredita-se que era muito fiel à &lt;a title="Aguardente" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Aguardente"&gt;aguardente&lt;/a&gt; "Águia Real"). Morre no dia &lt;a title="30 de Novembro" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/30_de_Novembro"&gt;30 de Novembro&lt;/a&gt;, com 47 anos de idade. Nos últimos momentos de vida, pede os óculos e clama pelos seus heterónimos. A sua última frase foi escrita no idioma no qual foi educado, o Inglês: «I know not what tomorrow will bring» (Não sei o que o futuro trará).&lt;br /&gt;[&lt;a title="Editar seção: Legado" href="http://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Fernando_Pessoa&amp;amp;action=edit&amp;amp;section=5"&gt;editar&lt;/a&gt;] Legado&lt;br /&gt;Pode-se dizer que a &lt;a title="Vida" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Vida"&gt;vida&lt;/a&gt; do poeta foi dedicada a criar e que, de tanto criar, criou outras vidas através dos seus heterónimos, o que foi a sua principal característica e motivo de interesse pela sua pessoa, aparentemente muito pacata. Alguns críticos questionam se Pessoa realmente teria transparecido o seu verdadeiro eu ou se tudo não teria passado de um produto, entre tantos, da sua vasta criação. Ao tratar de temas &lt;a title="Subjetividade" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Subjetividade"&gt;subjectivos&lt;/a&gt; e usar a heteronímia,&lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Fernando_Pessoa#cite_note-1#cite_note-1"&gt;[2]&lt;/a&gt; torna-se enigmático ao extremo. Este fato é o que move grande parte das buscas para estudar a sua obra. O poeta e crítico brasileiro &lt;a title="Frederico Barbosa" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Frederico_Barbosa"&gt;Frederico Barbosa&lt;/a&gt; declara que Fernando Pessoa foi "o enigma em pessoa".&lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Fernando_Pessoa#cite_note-2#cite_note-2"&gt;[3]&lt;/a&gt; Escreveu sempre, desde o primeiro poema aos sete anos, até ao leito de morte. Importava-se com a intelectualidade do homem, e pode-se dizer que a sua vida foi uma constante divulgação da língua portuguesa: nas próprias palavras do heterónimo &lt;a title="Bernardo Soares" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Bernardo_Soares"&gt;Bernardo Soares&lt;/a&gt;, "&lt;a href="http://pt.wikisource.org/wiki/A_minha_p%C3%A1tria_%C3%A9_a_l%C3%ADngua_portuguesa"&gt;a minha pátria (sic) é a língua portuguesa&lt;/a&gt;". O mesmo empenho é patente no seguinte poema:&lt;br /&gt;&lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Cquote1.svg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Tenho o dever de me fechar em casa no meu espírito e trabalhar&lt;br /&gt;quanto possa e em tudo quanto possa, para o progresso da&lt;br /&gt;civilização e o alargamento da consciência da humanidade&lt;br /&gt;&lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Cquote2.svg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;—&lt;br /&gt;Analogamente a &lt;a title="Pompeio" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Pompeio"&gt;Pompeu&lt;/a&gt;, que disse que "navegar é preciso; viver não é preciso", Pessoa diz, no poema &lt;a title="wikisource:pt:Navegar é Preciso" href="http://en.wikisource.org/wiki/pt:Navegar_%C3%A9_Preciso"&gt;Navegar é Preciso&lt;/a&gt;, que "viver não é necessário; o que é necessário é criar". Outra interpretação comum deste poema diz respeito ao fato de a navegação ter resultado de uma atitude racionalista do mundo ocidental: a navegação exigiria uma precisão que a vida poderia dispensar.&lt;br /&gt;O poeta mexicano &lt;a title="Octavio Paz" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Octavio_Paz"&gt;Octavio Paz&lt;/a&gt;, laureado com o Nobel de Literatura, diz que "os poetas não têm biografia. A sua obra é a sua biografia" e que, no caso de Fernando Pessoa, "nada na sua vida é surpreendente — nada, excepto os seus poemas". Em The Western Canon, &lt;a title="Harold Bloom" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Harold_Bloom"&gt;Harold Bloom&lt;/a&gt; incluiu-o entre os &lt;a title="Cânone" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/C%C3%A2none"&gt;cânones&lt;/a&gt; ocidentais, no capítulo Borges, Neruda e Pessoa: o Whitman Hispano-Português (pg. 451, 1995).&lt;br /&gt;Na comemoração do centenário do nascimento de Pessoa, em &lt;a title="1988" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/1988"&gt;1988&lt;/a&gt;, o seu corpo foi trasladado para o &lt;a title="Mosteiro dos Jerónimos" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Mosteiro_dos_Jer%C3%B3nimos"&gt;Mosteiro dos Jerónimos&lt;/a&gt;, confirmando o reconhecimento que não teve em vida.&lt;br /&gt;[&lt;a title="Editar seção: Pessoa e o ocultismo" href="http://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Fernando_Pessoa&amp;amp;action=edit&amp;amp;section=6"&gt;editar&lt;/a&gt;] Pessoa e o ocultismo&lt;br /&gt;&lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Casa_Fernando_Pessoa.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a title="Ampliar" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Casa_Fernando_Pessoa.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Último local de residência do poeta.&lt;br /&gt;Fernando Pessoa interessava-se pelo &lt;a title="Ocultismo" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Ocultismo"&gt;ocultismo&lt;/a&gt; e pelo &lt;a title="Misticismo" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Misticismo"&gt;misticismo&lt;/a&gt;, com destaque para a &lt;a title="Maçonaria" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Ma%C3%A7onaria"&gt;Maçonaria&lt;/a&gt; e a &lt;a title="Rosa-cruz" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Rosa-cruz"&gt;Rosa-Cruz&lt;/a&gt; (embora não se lhe conheça qualquer filiação concreta em Loja ou Fraternidade dessas escolas de pensamento), havendo inclusive defendido publicamente as organizações iniciáticas no &lt;a title="Diário de Lisboa" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Di%C3%A1rio_de_Lisboa"&gt;Diário de Lisboa&lt;/a&gt; (&lt;a title="4 de Fevereiro" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/4_de_Fevereiro"&gt;4 de Fevereiro&lt;/a&gt; de &lt;a title="1935" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/1935"&gt;1935&lt;/a&gt;), contra ataques por parte da ditadura do &lt;a title="Estado Novo (Portugal)" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Estado_Novo_(Portugal)"&gt;Estado Novo&lt;/a&gt;. O seu poema hermético mais conhecido e apreciado entre os estudantes de &lt;a title="Esoterismo" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Esoterismo"&gt;esoterismo&lt;/a&gt; intitula-se "&lt;a title="wikisource:pt:No Túmulo de Christian Rosenkreutz" href="http://en.wikisource.org/wiki/pt:No_T%C3%BAmulo_de_Christian_Rosenkreutz"&gt;No Túmulo de Christian Rosenkreutz&lt;/a&gt;". Tinha o hábito de fazer consultas &lt;a title="Astrologia" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Astrologia"&gt;astrológicas&lt;/a&gt; para si mesmo (de acordo com a sua &lt;a title="Certidão de nascimento" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Certid%C3%A3o_de_nascimento"&gt;certidão de nascimento&lt;/a&gt;, nasceu às 15h20, tinha ascendente &lt;a title="Escorpião (astrologia)" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Escorpi%C3%A3o_(astrologia)"&gt;Escorpião&lt;/a&gt; e o Sol em &lt;a title="Gêmeos (astrologia)" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/G%C3%AAmeos_(astrologia)"&gt;Gémeos&lt;/a&gt;).&lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Fernando_Pessoa#cite_note-3#cite_note-3"&gt;[4]&lt;/a&gt; Realizou mais de mil &lt;a title="Horóscopo" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Hor%C3%B3scopo"&gt;horóscopos&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;Apreciava também o trabalho do famoso ocultista &lt;a title="Aleister Crowley" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Aleister_Crowley"&gt;Aleister Crowley&lt;/a&gt;, tendo inclusive traduzido o poema &lt;a title="wikisource:pt:Hino a Pã" href="http://en.wikisource.org/wiki/pt:Hino_a_P%C3%A3"&gt;Hino a Pã&lt;/a&gt;. Certa vez, lendo uma publicação inglesa de Crowley, encontrou erros no horóscopo e escreveu-lhe para o corrigir. Os seus conhecimentos de &lt;a title="Astrologia" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Astrologia"&gt;astrologia&lt;/a&gt; impressionaram Crowley e, como este gostava de viagens, veio a Portugal conhecer o poeta.&lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Fernando_Pessoa#cite_note-4#cite_note-4"&gt;[5]&lt;/a&gt; Acompanhou-o a &lt;a title="Mago" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Mago"&gt;maga&lt;/a&gt; alemã Miss &lt;a title="Hanni Larissa Jaeger (página não existe)" href="http://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Hanni_Larissa_Jaeger&amp;amp;action=edit&amp;amp;redlink=1"&gt;Hanni Larissa Jaeger&lt;/a&gt;,&lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Fernando_Pessoa#cite_note-5#cite_note-5"&gt;[6]&lt;/a&gt;. O encontro entre Pessoa e Crowley ocorreu com algum sensacionalismo, dado o Poeta Inglês ter simulado o seu suicídio na Boca do Inferno, o que atraiu várias polícias Europeias e a atenção dos média da época. Pessoa estaria dentro da encenação, tendo combinado com Crowley a notificação dos jornais e a redacção de um "romance policiário" cujos direitos reverteriam a favor dos dois poetas. Apesar de ter escrito várias dezenas de páginas, essa obra de ficção nunca foi concretizada&lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Fernando_Pessoa#cite_note-6#cite_note-6"&gt;[7]&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;[&lt;a title="Editar seção: Ficha pessoal" href="http://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Fernando_Pessoa&amp;amp;action=edit&amp;amp;section=7"&gt;editar&lt;/a&gt;] Ficha pessoal&lt;br /&gt;Ficha pessoal (também referida como "Nota autobiográfica", que não é), intitulada no original "Fernando Pessoa", dactilografada e assinada pelo escritor em &lt;a title="30 de Março" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/30_de_Mar%C3%A7o"&gt;30 de Março&lt;/a&gt; de &lt;a title="1935" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/1935"&gt;1935&lt;/a&gt;. Publicada pela primeira vez, muito incompleta, como introdução ao poema À memória do Presidente-Rei Sidónio Pais, editado pela Editorial Império em &lt;a title="1940" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/1940"&gt;1940&lt;/a&gt;. Publicada em versão integral em Fernando Pessoa no seu Tempo, Biblioteca Nacional, Lisboa, 1988, pp. 17–22.&lt;br /&gt;FERNANDO PESSOA&lt;br /&gt;Nome completo: Fernando António Nogueira de Seabra Pessoa.&lt;br /&gt;Idade e naturalidade: Nasceu em Lisboa, freguesia dos Mártires, no prédio n.º 4 do Largo de S. Carlos (hoje do Directório) em 13 de Junho de 1888.&lt;br /&gt;Filiação: Filho legítimo de Joaquim de Seabra Pessoa e de D. Maria Madalena Pinheiro Nogueira. Neto paterno do general Joaquim António de Araújo Pessoa, combatente das campanhas liberais, e de D. Dionísia Seabra; neto materno do conselheiro Luís António Nogueira, jurisconsulto e Director-Geral do Ministério do Reino, e de D. Madalena Xavier Pinheiro. Ascendência geral: misto de fidalgos e judeus.&lt;br /&gt;Estado civil: Solteiro.&lt;br /&gt;Profissão: A designação mais própria será "tradutor", a mais exacta a de "correspondente estrangeiro" em casas comerciais. O ser poeta e escritor não constitui profissão, mas vocação.&lt;br /&gt;Morada: Rua Coelho da Rocha, 16, 1º. Dto. Lisboa. (Endereço postal - Caixa Postal 147, Lisboa).&lt;br /&gt;Funções sociais que tem desempenhado: Se por isso se entende cargos públicos, ou funções de destaque, nenhumas.&lt;br /&gt;Obras que tem publicado: A obra está essencialmente dispersa, por enquanto, por várias revistas e publicações ocasionais. É o seguinte o que, de livros ou folhetos, considera como válido: "35 Sonnets" ((&lt;a title="Língua inglesa" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/L%C3%ADngua_inglesa"&gt;em inglês&lt;/a&gt;)), 1918; "English Poems I-II" e "English Poems III" (em inglês também), 1922; livro "Mensagem", 1934, premiado pelo "Secretariado de Propaganda Nacional" na categoria Poema". O folheto "O Interregno", publicado em 1928 e constituído por uma defesa da Ditadura Militar em Portugal, deve ser considerado como não existente. Há que rever tudo isso e talvez que repudiar muito.&lt;br /&gt;Educação: Em virtude de, falecido seu pai em 1893, sua mãe ter casado, em 1895, em segundas núpcias, com o Comandante João Miguel Rosa, Cônsul de Portugal em Durban, Natal, foi ali educado. Ganhou o prémio Rainha Vitória de estilo inglês na Universidade do Cabo da Boa Esperança em 1903, no exame de admissão, aos 15 anos.&lt;br /&gt;Ideologia Política: Considera que o sistema monárquico seria o mais próprio para uma nação organicamente imperial como é Portugal. Considera, ao mesmo tempo, a Monarquia completamente inviável em Portugal. Por isso, a haver um plebiscito entre regimes, votaria, embora com pena, pela República. Conservador do estilo inglês, isto é, liberal dentro do conservantismo, e absolutamente anti-reaccionário.&lt;br /&gt;Posição religiosa: Cristão gnóstico e portanto inteiramente oposto a todas as igrejas organizadas e, sobretudo, à Igreja Católica. Fiel, por motivos que mais adiante estão implícitos, à Tradição Secreta do Cristianismo, que tem íntimas relações com a Tradição Secreta em Israel (a Santa Kabbalah) e com a essência oculta da Maçonaria.&lt;br /&gt;Posição iniciática: Iniciado, por comunicação directa de Mestre a Discípulo, nos três graus menores da &lt;a title="Ordem dos Templários de Portugal (página não existe)" href="http://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Ordem_dos_Templ%C3%A1rios_de_Portugal&amp;amp;action=edit&amp;amp;redlink=1"&gt;Ordem dos Templários de Portugal&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;Posição patriótica: Partidário de um nacionalismo místico, de onde seja abolida toda a infiltração católico-romana, criando-se, se possível for, um sebastianismo novo que a substitua espiritualmente, se é que no catolicismo português houve alguma vez espiritualidade. Nacionalista que se guia por este lema: "Tudo pela Humanidade; nada contra a Nação".&lt;br /&gt;Posição social: Anti-comunista e anti-socialista. O mais deduz-se do que vai dito acima.&lt;br /&gt;Resumo de estas últimas considerações: Ter sempre na memória o mártir Jacques de Molay, Grão-Mestre dos Templários, e combater, sempre e em toda a parte, os seus três assassinos - a Ignorância, o Fanatismo e a Tirania.&lt;br /&gt;Lisboa, 30 de Março de 1935 [em várias edições está 1933, por lapso]&lt;br /&gt;Fernando Pessoa [assinatura autografa]&lt;br /&gt;Fonte: Cópia do original dactilografado e assinado existente na Colecção do Arquitecto Fernando Távora.&lt;br /&gt;TABACARIA&lt;br /&gt;Não sou nada.&lt;br /&gt;Nunca serei nada.&lt;br /&gt;Não posso querer ser nada.&lt;br /&gt;À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.&lt;br /&gt;Janelas do meu quarto,&lt;br /&gt;Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é&lt;br /&gt;(E se soubessem quem é, o que saberiam?),&lt;br /&gt;Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,&lt;br /&gt;Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,&lt;br /&gt;Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,&lt;br /&gt;Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,&lt;br /&gt;Com a morte a por humidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,&lt;br /&gt;Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.&lt;br /&gt;_____________________________________________________&lt;br /&gt;Álvaro de Campos: "Tabacaria"&lt;br /&gt;Entre todos os &lt;a title="Heterónimo" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Heter%C3%B3nimo"&gt;heterónimos&lt;/a&gt;, Campos foi o único a manifestar fases poéticas diferentes ao longo da sua obra. Era um engenheiro de educação inglesa e origem portuguesa, mas sempre com a sensação de ser um estrangeiro em qualquer parte do mundo.&lt;br /&gt;Começa a sua trajetória como um &lt;a title="Decadentismo" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Decadentismo"&gt;decadentista&lt;/a&gt; (influenciado pelo &lt;a title="Simbolismo" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Simbolismo"&gt;simbolismo&lt;/a&gt;), mas logo adere ao &lt;a title="Futurismo" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Futurismo"&gt;futurismo&lt;/a&gt;. Após uma série de desilusões com a existência, assume uma veia &lt;a title="Niilismo" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Niilismo"&gt;niilista&lt;/a&gt;, expressa naquele que é considerado um dos poemas mais conhecidos e influentes da língua portuguesa, &lt;a title="Tabacaria (poema)" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Tabacaria_(poema)"&gt;Tabacaria&lt;/a&gt;. É revoltado e crítico e faz a apologia da velocidade e da vida moderna, com uma linguagem livre, radical.&lt;br /&gt;[&lt;a title="Editar seção: Ricardo Reis" href="http://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Fernando_Pessoa&amp;amp;action=edit&amp;amp;section=12"&gt;editar&lt;/a&gt;] Ricardo Reis&lt;br /&gt;Ver artigo principal: &lt;a title="Ricardo Reis" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Ricardo_Reis"&gt;Ricardo Reis&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;O heterónimo Ricardo Reis é descrito como um médico que se definia como &lt;a title="Latim" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Latim"&gt;latinista&lt;/a&gt; e &lt;a title="Monarquia" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Monarquia"&gt;monárquico&lt;/a&gt;. De certa maneira, simboliza a herança clássica na literatura ocidental, expressa na &lt;a title="Simetria" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Simetria"&gt;simetria&lt;/a&gt;, na &lt;a title="Harmonia" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Harmonia"&gt;harmonia&lt;/a&gt; e num certo &lt;a title="Bucolismo" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Bucolismo"&gt;bucolismo&lt;/a&gt;, com elementos &lt;a title="Epicurismo" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Epicurismo"&gt;epicuristas&lt;/a&gt; e &lt;a title="Estoicismo" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Estoicismo"&gt;estóicos&lt;/a&gt;. O fim inexorável de todos os seres vivos é uma constante na sua obra, clássica, depurada e disciplinada. Faz uso da mitologia não-cristã.&lt;br /&gt;Segundo Pessoa, Reis mudou-se para o &lt;a title="Brasil" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Brasil"&gt;Brasil&lt;/a&gt; em protesto à proclamação da &lt;a title="República" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Rep%C3%BAblica"&gt;República&lt;/a&gt; em Portugal e não se sabe o ano da sua morte.&lt;br /&gt;Em &lt;a title="O ano da morte de Ricardo Reis" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/O_ano_da_morte_de_Ricardo_Reis"&gt;O ano da morte de Ricardo Reis&lt;/a&gt;, &lt;a title="José Saramago" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Jos%C3%A9_Saramago"&gt;José Saramago&lt;/a&gt; continua, numa perspectiva pessoal, o universo deste heterónimo após a morte de Fernando Pessoa, cujo fantasma estabelece um diálogo com o seu heterónimo, sobrevivente ao criador.&lt;br /&gt;[&lt;a title="Editar seção: Alberto Caeiro" href="http://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Fernando_Pessoa&amp;amp;action=edit&amp;amp;section=13"&gt;editar&lt;/a&gt;] Alberto Caeiro&lt;br /&gt;Ver artigo principal: &lt;a title="Alberto Caeiro" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Alberto_Caeiro"&gt;Alberto Caeiro&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Por sua vez, Caeiro, nascido em Lisboa, teria vivido quase toda a vida como camponês, quase sem estudos formais. Teve apenas a instrução primária, mas é considerado o mestre entre os heterônimos (pelo ortônimo, inclusive). Após a morte do pai e da mãe, permaneceu em casa com uma tia-avó, vivendo de modestos rendimentos. Morreu de &lt;a title="Tuberculose" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Tuberculose"&gt;tuberculose&lt;/a&gt;. Também é conhecido como o poeta-filósofo, mas rejeitava este título e pregava uma "não-filosofia". Acreditava que os seres simplesmente são, e nada mais: irritava-se com a &lt;a title="Metafísica" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Metaf%C3%ADsica"&gt;metafísica&lt;/a&gt; e qualquer tipo de simbologia para a vida.&lt;br /&gt;Nos escritos pessoanos que versam sobre a caracterização dos heterônimos, Pessoa, dito "ele mesmo", assim como a Álvaro de Campos, Ricardo Reis e o meio-heterônimo Bernardo Soares, conferem a Alberto Caeiro um papel quase místico enquanto poeta e pensador. Reis e Soares chegam a compará-lo ao deus Pã, e Pessoa esboça-lhe um horóscopo no qual lhe atribui o signo de leão, associado ao elemento fogo. A relevância destas alusões se esclarecem na explicação de Fernando Pessoa sobre o papel de Caeiro no escopo da heteronímia. Citando a atuação dos quatro elementos da &lt;a title="Astrologia" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Astrologia"&gt;astrologia&lt;/a&gt; sobre a personalidade dos indivíduos, Pessoa escreve:&lt;br /&gt;"Uns agem sobre os homens como o fogo, que queima nele todo o acidental, e os deixa nus e reais, próprios e verídicos, e esses são os libertadores. Caeiro é dessa raça. Caeiro teve essa força."&lt;br /&gt;Dos principais heterônimos de Fernando Pessoa, Caeiro foi o único a não escrever em prosa. Alegava que somente a poesia seria capaz de dar conta da realidade.&lt;br /&gt;Possuía uma linguagem estética direta, concreta e simples mas, ainda assim, bastante complexa do ponto de vista reflexivo. O seu ideário resume-se no verso Há metafísica bastante em não pensar em nada. A sua obra está agrupada na coletânea &lt;a title="Poemas Completos de Alberto Caeiro" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Poemas_Completos_de_Alberto_Caeiro"&gt;Poemas Completos de Alberto Caeiro&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6596138590224138403-6305941176406459107?l=armazemdeversos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://armazemdeversos.blogspot.com/feeds/6305941176406459107/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6596138590224138403&amp;postID=6305941176406459107' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6596138590224138403/posts/default/6305941176406459107'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6596138590224138403/posts/default/6305941176406459107'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://armazemdeversos.blogspot.com/2010/05/o-enigma-em-pessoa.html' title='O ENIGMA EM PESSOA'/><author><name>Armazém de Versos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01728499791261991678</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_BOcqcbcj2-I/SONtQTt8wLI/AAAAAAAAAAM/nTvctQ100Vg/S220/DSC06211.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6596138590224138403.post-5049891331333644152</id><published>2010-05-03T07:10:00.000-07:00</published><updated>2010-05-03T07:14:17.936-07:00</updated><title type='text'>As Virtudes do Vício(...)</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;O vício em mim se fez no cansaço, quando no fígadoo fogo já era fátuo. As virtudes do vício no vinho que sangro pelo cálice de Alice desfigurada. A nódoa do vício na uva passa: veneno que se alastra na decomposição da boca para a virtude do pecado presa na língua do lasso. Sangrar é próprio de quem adivinha lâminas. Sangrar no próximo é acender amoras em lantejoulas e jogá-las nos olhos de quem chora. Migrar em sangue a mortalha da penhora. Pecar, pecar, pecar até arder em chamas. Pecar pelo que chamas e nunca chega. Pecar ao pontodo carbono original que a carne nutre no paraíso das delícias. A ser vício da serpente desfruto da árvore da volúpia: cabelos, cabides, perfume e ócio. Pecar é meu divórcio.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Gilson Cavalcanti&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6596138590224138403-5049891331333644152?l=armazemdeversos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://armazemdeversos.blogspot.com/feeds/5049891331333644152/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6596138590224138403&amp;postID=5049891331333644152' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6596138590224138403/posts/default/5049891331333644152'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6596138590224138403/posts/default/5049891331333644152'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://armazemdeversos.blogspot.com/2010/05/as-virtudes-do-vicio.html' title='As Virtudes do Vício(...)'/><author><name>Armazém de Versos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01728499791261991678</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_BOcqcbcj2-I/SONtQTt8wLI/AAAAAAAAAAM/nTvctQ100Vg/S220/DSC06211.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6596138590224138403.post-175618851065152433</id><published>2010-05-03T06:00:00.000-07:00</published><updated>2010-05-03T06:08:08.609-07:00</updated><title type='text'>Ainda sobre O Decote de Vênus</title><content type='html'>Darcy, amiga-irmã, quanto ao poeta e jornalista Gilson Cavalcante, ele é de fato informado sobre Jung, e a teoria da individuação. Foi muita coragem e habilidade da parte dele, assumir um eu lírico feminino no seu livro Anima Animus - O Decote de Vênus - Diz Brasigóis Felício, em via e-mail à professora universitária, escritora, ensaísta, poeta e crítica literária Darcy França Denófrio, que, em resposta a Brasigóis faz o seguinte comemtário sobre a mais recente obra poética de Cavalcante:&lt;br /&gt;Sobre o seu ensaio acerca do livro do poeta e jornalista Gilson Cavalcante resolvi não postar o comentário, porque eu não teria condições de fazer apreciação do livro, caso ele me enviasse. Estou com um verdadeira montanha de livros de autores de Goiás e de fora, que me pedem uma palavrinha.&lt;br /&gt;Gostei de seu ensaio e não sei como você consegue produzir tanto - para jornais e blogs. Aliás, sei. Além de sua capacidade para ver o literário, a juventude é uma das razões. E principalmente seu treino para escrever sob pressão, adquirida no jornalismo.&lt;br /&gt;Quanto ao Gilson, fico imaginando, entre outras coisas, que ele deva ser um poeta bem informado. A obra Anima Animus ou O Decote de Vênus pressupõe, como lhe disse, conhecimento da teoria da  Estrutura da Psique, de C.G. Jung.  No Processo de Individuação de Jung, a confrontação ou enfrentamento da anima ( feminilidade inconsciente no homem) ou animus (masculinidade inconsciente que existe no psiquismo da mulher) é a terceira etapa desse processo e que, aliás, precede o momento de totalização do ser (e não de perfeição), ou seja, o do alcance do self (=si mesmo). O self passa a ser o centro da personalidade. Aquele que busca individuar-se (e não tornar-se perfeito) já desvestiu a máscara (a aparência artificial), já passou pelo enfrentamento da sombra (nosso lado escuro, as coisas que não aceitamos em nós). Já houve o confronto entre consciente e inconsciente. Atingiu o self.  Sabe conviver pacificamente com as tendências opostas, irreconciliáveis, inerentes à natureza humana.&lt;br /&gt;Tenho um trabalho sobre a obra de Yêda chamado "De Penélope a Atalanta: o processo de individuação em Yêda Schmaltz". Saiu numa revista da UFG.&lt;br /&gt;Não sei em que sentido o Gilson usou essa teoria. Mas se ele presta homenagem a Yêda, tem tudo a ver. Intrigante um livro, feito por um homem, tendo como tema o universo feminino.Achei interessante você dizer que no início do livro (se é que entendi bem), Eva assume o "eu lírico". Para um homem, esta é uma senhora proeza.&lt;br /&gt;Enfim, estamos no terceiro milênio. Chico Buarque foi capaz disto bem antes desse poeta.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6596138590224138403-175618851065152433?l=armazemdeversos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://armazemdeversos.blogspot.com/feeds/175618851065152433/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6596138590224138403&amp;postID=175618851065152433' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6596138590224138403/posts/default/175618851065152433'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6596138590224138403/posts/default/175618851065152433'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://armazemdeversos.blogspot.com/2010/05/ainda-sobre-o-decote-de-venus.html' title='Ainda sobre O Decote de Vênus'/><author><name>Armazém de Versos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01728499791261991678</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_BOcqcbcj2-I/SONtQTt8wLI/AAAAAAAAAAM/nTvctQ100Vg/S220/DSC06211.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6596138590224138403.post-1736909761172702119</id><published>2010-04-07T07:56:00.000-07:00</published><updated>2010-04-07T08:01:39.510-07:00</updated><title type='text'>Dobradiças de Veludo</title><content type='html'>janela. jaz nela o vão&lt;br /&gt;de todas as esperas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o vôo embalsamado&lt;br /&gt;das aves-primavera&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;janela de espiar&lt;br /&gt;as moças (donzelas)&lt;br /&gt;indo para a igreja&lt;br /&gt;domingo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;janela de adular o vazio&lt;br /&gt;dentro da tarde que se vai&lt;br /&gt;na silhueta do infinito&lt;br /&gt;como um grito amarelo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(a saudade levada no bico)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;janela de olhos vasculhando&lt;br /&gt;o defunto em sua caixa&lt;br /&gt;de música tocando seus ossos&lt;br /&gt;de encontro às raízes que plantamos&lt;br /&gt;sobre o cálcio da solidão&lt;br /&gt;do sossego do gesso&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;pássaros assombrados&lt;br /&gt;de asas de fogo fecham&lt;br /&gt;a janelacônica&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;voo de enxugar o gesto&lt;br /&gt;com o ferrolho da infância&lt;br /&gt;no vão das coisas que passam&lt;br /&gt;e ficam presas dentro da gente&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6596138590224138403-1736909761172702119?l=armazemdeversos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://armazemdeversos.blogspot.com/feeds/1736909761172702119/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6596138590224138403&amp;postID=1736909761172702119' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6596138590224138403/posts/default/1736909761172702119'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6596138590224138403/posts/default/1736909761172702119'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://armazemdeversos.blogspot.com/2010/04/dobradicas-de-veludo.html' title='Dobradiças de Veludo'/><author><name>Armazém de Versos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01728499791261991678</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_BOcqcbcj2-I/SONtQTt8wLI/AAAAAAAAAAM/nTvctQ100Vg/S220/DSC06211.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6596138590224138403.post-3014394255927533274</id><published>2010-04-06T11:11:00.000-07:00</published><updated>2010-04-06T11:17:07.071-07:00</updated><title type='text'>O decote de Vênus</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_BOcqcbcj2-I/S7t6bwP-RHI/AAAAAAAAAB4/7mc1Z5u8l-o/s1600/Gilson+e+bordado.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5457089990716441714" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 306px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_BOcqcbcj2-I/S7t6bwP-RHI/AAAAAAAAAB4/7mc1Z5u8l-o/s320/Gilson+e+bordado.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;por Brasigóis Felício*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vem de Palmas um novo e bom livro do poeta e jornalista Gilson Cavalcanti. O título é “Anima Animus ou o decote de Vênus”. (Edição do autor) Coletânea de poemas que li com deleite, como um apreciador de boa poesia o faria, ao se deparar com textos de boa fatura poética, de autor naturalmente dotado para o cultivo da arte maior da literatura. De há muito aprecio a poética deste autor tocantinense, hoje vivendo e trabalhando em Palmas, depois de boas e produtivas jornadas em Goiás, onde teve boa passagem pelo jornalismo e nas lides culturais, sempre generoso e aberto às boas novidades.&lt;br /&gt;Gilson Cavalcanti escreve versos simples mas não simplórios. Ele tem domínio do verso, tem humor, sabedoria, e uma verve meio satírica, o que o faz palatável aos viventes humanos dotados de sensibilidade e recepção para a arte poética. Já pelo título se vê que todo o livro tem como tema único o plural universo feminino. O poeta abre o volume com um texto da poetisa Yêda Schmaltz, a quem homenageia mais uma vez, no corpo do livro: “Esta vontade de morder o mundo/e o mar que me afoga/as mulheres estão continuando/no sofrimento do amor,/que droga/mulher não presta para nada/a não ser para chorar/”. (In Baco e as Anas Brasileiras).&lt;br /&gt;Já na abertura do livro Eva toma a palavra, sendo a voz narradora constante: “Sou Eva/a viva flor primeva/a que desceu do paraíso/a par do que precisa consertar/Sou Eva/doida doida/doidivana, doidivina/a que se dividiu na dor/parindo outras dores/ Fui Eva/ de cama mesa e banho/meu corpo não tem tamanho/e trago na carne hipocondríaca/contorcida entre costelas/a serpente entretelada de estrelas/”. Depois de outras pérolas, uma pitada de ironia: “O meu corpo/arado aos dentes/para o caminho das estrilas/sou Eva e vivo/de semear a semente/no sutiã dos conventos/a mulher de quatro elementos/para o espetáculo da nova era/”.&lt;br /&gt;No poema A seda que enreda o bicho, em feitio de homenagear a poetisa Yêda Schmaltz, assinala o poeta G.C.: “Yêda em sendo seda/enreda o bicho poesia/borda a senha da boca/onde o amor é/borboleta louca”. E, no final do poema: “Yêda costura sonhos/em ritmo de des(a)fios/é a alquimia de todos nós”. No poema seguinte, Questão de hábito, indaga: “O que guardas/debaixo desse hábito/de cambraia, mulher?/ A castidade em nome da fé/ou o ferrolho do prazer?”. Responde então o poeta: “Pois não vale a castidade/em nome da fé/uma colherinha de café/”.&lt;br /&gt;Esmera-se em ricas metáforas, em seu poetar sobre o mito e o fascínio do feminino – e mesmo a essencialidade de ser reprodutora e útero da vida, o poeta não endeusa, não mitifica – mas questiona, espicaça, como no poema A mulher e o espelho: “De frente ao espelho/os seios hiperbolizados na mão/como quem semeia fruta-pão;em pleno outono/(...) Por que tudo o que é feminino/cheira a naftalina?/. (...) O vestido de noiva/o hímen complacente/que guardo de presente/ao amado:/o gesto transparente/escorrendo na grinalda do tempo/”. Poesia rica em imagens, inventiva, cheia de verve.&lt;br /&gt;Mais adiante, o poeta questiona o sulco dos hábitos de sua musa, real ou imaginada pela licença poética: “O que guardas/debaixo desse hábito de cambraia, mulher?/A castidade da fé, ou o ferrolho do prazer?”. Gilson Cavalcanti permite-se a licença poética de brincar com os versos popularizados na canção de Ataulfo Alves, sobre Amélia, a mulher sem vaidade: “De verdade, Amélia era a melhor/porque despida de menor vaidade/de Amélia a Maria Bonita,/ a boca maldita da contrariedade/”. No poema Cabra da peste, uma mostra de sua verve bem humorada:”Maria da Guarda/é neta da noite/bebe até ficar rica/compra briga por açoite/”.&lt;br /&gt;Há uma hora marcada para o encontro do tempo dos relógios, e com os perigos vertiginosos do sexo? O poeta reflete: “Sem horas/atrás do amor/rumo adiantado/A ausência/adia a cor do pecado./Há dias, os ponteiros do meu sexo/apontam para o seu sexo/Qual dia acerto? São pitadas de brincanagem, adicionadas, como ervas finas, à geléia geral da linguagem – que vem a ser a alquimia da transfiguração do verbo, na criação poética.&lt;br /&gt;Eu digo: elas por elas tivemos Elis/que só não foi feliz/por que não quis?/Mais leve de fardo foi Leila Diniz: o montão de areia para o caminhãozinho dos homens. G.C diz: “Leila Diniz encheu a pança/e foi desfilar no Leblon/em Copacabana/virou a cabeça dos homens/e desfez as mulheres/de suas saias de nuvens e areia/(...) o seu vôo foi tão leve/que a levou/para o umbigo do cosmos/de forma tão breve/”. Elis por Elis, tivemos uma, inquieta e vibrante: uma Regina sem medo de querer ser feliz.&lt;br /&gt;Tanto agitou, em sua mente vertiginosa, e em seu corpo pequeno, que implodiu, numa overdose dantesca: foi nitroglicerina pura. Sendo de voz tão afinada, como explicar que não levou sorte, nem teve engenho e arte na afinação da arte de viver em paz, apesar da angústia inerente a todo Ser? Também, pudera: se desde criancinha, lá em Porto Alegre, já desafinava no coro dos contentes, é de se espantar que não tenha atravessado o samba muito antes. O poeta Gilson Cavalcanti confirma: “Sua voz/cascata de cristal/convocando a canção amiga/agora, um outro Tom/a faz equilibrar-se/na bossa etérea/entre Vinicius e Jobim/”. Esta Elis que foi a melhor intérprete de O bêbado e o equilibrista, de João Bosco e Aldir Blanc.&lt;br /&gt;Ao final, recordando tantas partidas sem aviso e sem despedida, antes de lamentar que Elis tenha partido, é melhor re-cordar (tornar ao coração) que apareceu não a Margarida, e sim a sua Maria Rita, para animar a festa, segundo G.C. No poema Terezuda, mais um instante de alegre erotismo: “A beleza de Tereza/não se põe na mesa/Tetê se abunda/em bicicleta/é tesão de sobra/na padaria de meus olhos/Vem, Tetê, testar/a massa que nos promete o pão!’. E vai G.C. na carruagem da mesma malícia: “Kátia, de onde trouxestes/essas pernas tão lindas?/Drummond não teve acesso a elas/teria morrido de tanta poesia/”. O poeta Gilson Cavalcanti fecha o seu livro O decote de Vênus revelando-se pronto a encenar o último ato no drama de existir: “Completamente nu/nu de tudo, de todos/ (...) Fecham-se as cortinas,/porque a vida vai começar/do outro lado do espelho/”.&lt;br /&gt;* Brasigóis Felício é poeta, cronista, e Membro da Academia Goiana de Letras.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6596138590224138403-3014394255927533274?l=armazemdeversos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://armazemdeversos.blogspot.com/feeds/3014394255927533274/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6596138590224138403&amp;postID=3014394255927533274' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6596138590224138403/posts/default/3014394255927533274'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6596138590224138403/posts/default/3014394255927533274'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://armazemdeversos.blogspot.com/2010/04/o-decote-de-venus.html' title='O decote de Vênus'/><author><name>Armazém de Versos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01728499791261991678</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_BOcqcbcj2-I/SONtQTt8wLI/AAAAAAAAAAM/nTvctQ100Vg/S220/DSC06211.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_BOcqcbcj2-I/S7t6bwP-RHI/AAAAAAAAAB4/7mc1Z5u8l-o/s72-c/Gilson+e+bordado.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6596138590224138403.post-1464704024677267792</id><published>2009-12-08T08:27:00.000-08:00</published><updated>2009-12-08T08:29:11.982-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_BOcqcbcj2-I/Sx5-q7VHSnI/AAAAAAAAABw/10kXwuNN2fU/s1600-h/DSCI0584.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5412903078091770482" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 236px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_BOcqcbcj2-I/Sx5-q7VHSnI/AAAAAAAAABw/10kXwuNN2fU/s320/DSCI0584.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6596138590224138403-1464704024677267792?l=armazemdeversos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://armazemdeversos.blogspot.com/feeds/1464704024677267792/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6596138590224138403&amp;postID=1464704024677267792' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6596138590224138403/posts/default/1464704024677267792'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6596138590224138403/posts/default/1464704024677267792'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://armazemdeversos.blogspot.com/2009/12/blog-post.html' title=''/><author><name>Armazém de Versos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01728499791261991678</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_BOcqcbcj2-I/SONtQTt8wLI/AAAAAAAAAAM/nTvctQ100Vg/S220/DSC06211.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_BOcqcbcj2-I/Sx5-q7VHSnI/AAAAAAAAABw/10kXwuNN2fU/s72-c/DSCI0584.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6596138590224138403.post-5756309998293862833</id><published>2009-03-10T09:53:00.000-07:00</published><updated>2009-03-10T09:54:13.620-07:00</updated><title type='text'>Frida Kahlo</title><content type='html'>Calo&lt;br /&gt;não falo&lt;br /&gt;na cama voadora&lt;br /&gt;loucura&lt;br /&gt;so-Frida Kahlo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bi-cama&lt;br /&gt;esquadros&lt;br /&gt;de Adriana Calcanhoto&lt;br /&gt;as cores da janela&lt;br /&gt;de Frida Kahlo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;México de dores&lt;br /&gt;e o corpo mutilado&lt;br /&gt;como oferenda às flores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Espero alegre a saída e espero nunca voltar"&lt;br /&gt;- O epitáfio do silêncio para o escândalo&lt;br /&gt;   do surreal.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6596138590224138403-5756309998293862833?l=armazemdeversos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://armazemdeversos.blogspot.com/feeds/5756309998293862833/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6596138590224138403&amp;postID=5756309998293862833' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6596138590224138403/posts/default/5756309998293862833'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6596138590224138403/posts/default/5756309998293862833'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://armazemdeversos.blogspot.com/2009/03/frida-kahlo.html' title='Frida Kahlo'/><author><name>Armazém de Versos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01728499791261991678</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_BOcqcbcj2-I/SONtQTt8wLI/AAAAAAAAAAM/nTvctQ100Vg/S220/DSC06211.JPG'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6596138590224138403.post-728518473025779352</id><published>2009-01-12T05:47:00.001-08:00</published><updated>2009-01-13T15:58:49.373-08:00</updated><title type='text'>A Viúva do Vestido Vermelho</title><content type='html'>&lt;?xml:namespace prefix = o /&gt;&lt;o:smarttagtype name="PersonName" namespaceuri="urn:schemas-microsoft-com:office:smarttags"&gt;&lt;/o:smarttagtype&gt;&lt;object id="ieooui" classid="clsid:38481807-CA0E-42D2-BF39-B33AF135CC4D"&gt;&lt;/object&gt;&lt;style&gt; st1\:*{behavior:url(#ieooui) } &lt;/style&gt;&lt;br /&gt;&lt;style&gt; &lt;!--  /* Style Definitions */  p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal  {mso-style-parent:"";  margin:0cm;  margin-bottom:.0001pt;  mso-pagination:widow-orphan;  font-size:12.0pt;  font-family:"Times New Roman";  mso-fareast-font-family:"Times New Roman";} h1  {mso-style-next:Normal;  margin:0cm;  margin-bottom:.0001pt;  text-align:center;  text-indent:35.4pt;  line-height:200%;  mso-pagination:widow-orphan;  page-break-after:avoid;  mso-outline-level:1;  font-size:20.0pt;  mso-bidi-font-size:12.0pt;  font-family:"Times New Roman";  mso-font-kerning:0pt;} p.MsoFooter, li.MsoFooter, div.MsoFooter  {margin:0cm;  margin-bottom:.0001pt;  mso-pagination:widow-orphan;  tab-stops:center 220.95pt right 441.9pt;  font-size:12.0pt;  font-family:"Times New Roman";  mso-fareast-font-family:"Times New Roman";} p.MsoBodyTextIndent, li.MsoBodyTextIndent, div.MsoBodyTextIndent  {margin:0cm;  margin-bottom:.0001pt;  text-indent:35.4pt; 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Lurdinha rói as unhas, coça a cabeça. A TV lhe prende a atenção. Adora casos de violência, sexo, drogas, escândalos. Passa as mãos nos cabelos, ainda molhados, jogando-os para trás. Cabelos compridos, encaracolados e bem tratados.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-INDENT: 35.45pt"&gt;Pensa nas compras que tem de fazer na terça-feira e no salão de beleza. O marido ainda não chegou. Saíra à tarde para um partida de futebol. A cabeça de Lurdinha a mil, envolta em futilidades. A traição e a infidelidade têm ocupado boa parte de seus pensamentos. &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-INDENT: 35.45pt"&gt;Casada com um político de poucos estudos, Lurdinha, 28 anos de saúde e tesão, vive de fomentar fofocas. Coleciona revistas e filmes pornográficos. O telefone toca. Lurdinha pula do sofá, puxando o minúsculo short de malha fria, metido confortavelmente, no traseiro; joga o chiclete da boca pela janela.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-INDENT: 35.45pt"&gt;Lurdinha atende ao telefone: “Nossa, é mesmo, Marli?... Por quê? Eles parecem que viviam tão bem... Home num presta mesmo, né?... Mas ela também dava motivos, tava muito na cara. Muita gente tá sabendo. Isso vai ser um escândalo, uma ver... &lt;i&gt;peraí&lt;/i&gt;, meu marido tá chegando, tchau”.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-INDENT: 35.45pt"&gt;Lurdinha bem que poderia gostar de poemas. Mas aí ela perderia aquele encanto, aquele mistério de mulher doida pra pular a cerca e fabricar o pecado na sua usina de prazer reprimido. Seus seios não saem de minhas mãos. Lurdinha há de morrer um dia em meus braços, se desmanchando em orgasmo. Logo eu, responsável pelo desencaminhamento de minha amiga? Não. Isso é muito pra minha cabeça de poeta. E se nós nos apaixonássemos? Um pouco da minha literatura morreria com esse amor, mesmo que o sustentássemos clandestinamente. &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-INDENT: 35.45pt"&gt;&lt;span style="font-size:0;"&gt;&lt;/span&gt;“Agora, bem? Onde cê tava? Jogando bola ou tomando cervejinha por aí?”. O marido não responde. Passa direto para o banheiro. &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-INDENT: 35.45pt"&gt;“Nossa, transei com aquela garota, sem camisinha. E agora? Será que vai ter problema? Amanhã ligo pra ela pra passar algumas coisas a limpo”. A cabeça de Ricardo fervilha. Uma hora no banheiro tentando esfriar a mente.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-INDENT: 35.45pt"&gt;Aquele telefonema de Marli mexeu com os arquivos de Lurdinha. Ela fica agoniada para chegar logo segunda-feira. Na terça, tem que ir às compras. &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-INDENT: 35.45pt"&gt;Ricardo está no décimo sono. O quarto todo desarrumado: cuecas para um lado, meias para o outro. Uma cartela de lexotam, faltando alguns comprimidos, sobre o criado-mudo. O silêncio é quebrado pelo ronco alto de Ricardo.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-INDENT: 35.45pt"&gt;“Acorda, seu porra. Agora cê vai me contar por onde andava. Pode acordar. Tava atrás de puta, né?”. Nada do marido despertar. Lurdinha o puxa para um lado e para o outro. O quarto cheira à dramaturgia &lt;i&gt;nelsonrodriguiana&lt;/i&gt;. Sobre o criado-mudo os óculos, um relógio, um envelope de tranqüilizante. Se esse criado resolvesse falar...&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-INDENT: 35.45pt"&gt;“Diabo. Bem que Marli poderia me dar uns conselhos. Será que posso contar pra ela sobre meus planos?... Ah, ela também não é flor que se cheire. Até acho que tá de rolo com o mecânico dela, aquele negão cheirando à graxa e a solda elétrica... só pode ter um pau doce”.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-INDENT: 35.45pt"&gt;Lurdinha observa o marido dormindo meio atravessado na cama. Dentro do criado-mudo um revólver calibre 38, jamais usado, nem mesmo por esporte. No sono a morte seria mais suave? Uma arma de fogo, naquela altura da madrugada, bem que teria motivo justo para ser usada pela primeira vez. Lurdinha pega o revólver, toda trêmula. Excita-se com aquele cano longo. Um pau-de-fogo entre as coxas...&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="TEXT-INDENT: 35.45pt"&gt;“Ai, que horror!”, espanta-se. “Cedinho a polícia estaria aqui. (´Cadê a arma? Foi atentado? Por onde o malandro entrou´?). Seria um escândalo. Eu na primeira página dos jornais. Só assim mesmo para ser destaque... Não, não...”.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-INDENT: 35.45pt"&gt;Quase meio-dia de segunda-feira. A empregada tenta descobrir os motivos que levaram Lurdinha a está ali no sofá, completamente nua, pernas abertas e a boca de apanhar lua, escancarada. Ricardo, que saíra cedinho, sequer tomou café. Deixou o filho na escola e dali mesmo, tentou, em vão, falar com a garota de programa.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-INDENT: 35.45pt"&gt;Enrolada numa toalha florida, Lurdinha senta-se na cama e disca para a amiga. Ninguém na ponta da linha. Marli teve que fazer uma viagem rápida, mas voltaria no dia seguinte, logo pela manhã. Decide sair pra rua. “Não vou almoçar &lt;?xml:namespace prefix = st1 /&gt;&lt;st1:personname productid="em casa. N￣o" st="on"&gt;em casa. Não&lt;/st1:personname&gt; sei que horas volto”, avisa à empregada, que tenta dizer alguma coisa, mas não consegue...&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-INDENT: 35.45pt"&gt;Lurdinha vai ao salão de beleza e, em seguida, ao banco. Passos largos dão um ritmo provocante àquela mulher de um metro e oitenta de altura, metida num vestido de cetim vermelho e sustentada por um par de sapatos Luiz XV. Os clientes do banco esquecem da fila. Há uma unanimidade naqueles olhares masculinos cheios de poesia venenosa.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-INDENT: 35.45pt"&gt;Ricardo está em casa à espera da esposa. À tarde, não vai ao escritório político. Esquece, por algum momento, o caso com a garota de domingo e passa a bolar alguma estratégia para a sua reeleição à Assembléia Legislativa. Marteladas na mente: “será que ainda encontro aquela vadia? Por que ela fez isso comigo?”. Ricardo resiste em fazer exames. Receia ter contraído o vírus da Aids. Está disposto a não transar com sua esposa até que tudo esteja esclarecido para ele. Mas Lurdinha pode ficar mais desconfiada ainda. Que nada, ela quer mais é um pretexto para dar umas escapulidas sem que a sua consciência a condene.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-INDENT: 35.45pt"&gt;Cai a noite. Lurdinha já havia fumado duas carteiras de cigarros e entrava na terceira. Vai a uma locadora de vídeos. Vasculha, demoradamente, a seção de pornôs, sempre olhando para os lados, verificando se não tem alguém lhe observando. &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-INDENT: 35.45pt"&gt;Lurdinha chega em casa. Ricardo está dormindo em frente à TV. Ela vai para o quarto, desfaz-se das roupas. Apóia a perna esquerda sobre o vaso sanitário e começa a tocar as cordas de seu violino desafinado. O espelho não lhe cabe. Ela some dentro da própria imagem refletida ao avesso. &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-INDENT: 35.45pt"&gt;O telefone toca. “A vida é assim mesmo, minha filha. A gente não pode perder tempo. Fica velha e não aproveita nada. Mas vai com cuidado. Se o Rica descobre, cê fica com uma mão na frente e outra atrás. Acaba todo luxo, toda mordomia”, aconselha Marli.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-INDENT: 35.45pt"&gt;Supermercado lotado. Lurdinha está decidida. Mas com quem ela cometeria seu primeiro caso de infidelidade. Com um desconhecido? Um amigo do esposo? Com o seu médico ou dentista? Pensa no mecânico, no guarda-noite. Ainda aparece uma pontinha de receio, mas se excita com a possibilidade. Marli olha, incisivamente, para um dos açougueiros e já tem definida a sua próxima “vítima”.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-INDENT: 35.45pt"&gt;As duas começam a escolher frutas e legumes. Maçãs vermelhas, enormes, são acariciadas por Lurdinha. Seus seios deveriam ser como aquelas maçãs sendo mordidas. O pecado em suas mãos desenha a árvore da volúpia. &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-INDENT: 35.45pt"&gt;“Aterrissa, mulher. Isso aí não tem vida, não”, interrompe Marli, com ares de deboche. Lurdinha ajeita o decote e reassume a direção do carrinho de compras.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-INDENT: 35.45pt"&gt;&lt;span style="font-size:0;"&gt;&lt;/span&gt;“Promoção relâmpago na padaria. Pão a cinco centavos...”, anuncia o sistema interno de som do supermercado. Lurdinha se assusta. Morde a cenoura e dá um grito.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-INDENT: 35.45pt"&gt;“Atenção, ouvintes, notícia extraordinária. O deputado Ricardo Freqüência acaba de ser acidentado. Seu veículo se chocou com uma carreta carregada de verduras, que transitava em alta velocidade pela avenida Teotônio Segurado. O parlamentar foi conduzido ao hospital em estado gravíssimo. Talvez não sobreviva. Mais detalhes do acidente no noticiário de meio-dia”.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-INDENT: 35.45pt"&gt;Em estado de choque, Lurdinha não sabe se ri ou chora. As duas deixam as compras no carrinho e vão pra casa. Marly a consola. Palavras de reconforto, de ânimo, carícias. Um tranqüilizante antes do banho morno. No banheiro, Marli tira a roupa de Lurdinha e a coloca debaixo do chuveiro. Risadas histéricas entremeadas com choro e soluços.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-INDENT: 35.45pt"&gt;Marly começa a ensaboar Lurdinha. “Tira a roupa também. Quero te ver nua. Cê tem celulite? Tem vergonha de mostrar o corpo. Olha o meu, ó, (pega nos seios e na bunda), tudo em cima”. Gargalhadas desesperadas. &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-INDENT: 35.45pt"&gt;“O deputado morreu”, grita a empregada.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-INDENT: 35.45pt"&gt;Viúva, nova, com uma pensão gorda, Lurdinha se sentia culpada e, ao mesmo tempo, aliviada. Seus fantasmas habitavam, agora, Marli.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-INDENT: 35.45pt"&gt;“VOTOS DE PESAR VG MINHAS CONDOLÊNCIAS PT”.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-INDENT: 35.45pt"&gt;Antônio Confidente, 1º suplente de deputado.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-INDENT: 35.45pt"&gt;“Vote em mim, tenho um passado limpo”, grita do palanque a viúva do vestido vermelho, pedindo votos para vereadora, em dobradinha com Antônio Confidente. Vaias e aplausos. A poucos metros dali, num barracão improvisado, coberto com lona preta, cestas básicas são distribuídas. O serviço de alto-falante anuncia grande forró e show com dupla sertaneja, tentando segurar a “clientela”.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-INDENT: 35.4pt; LINE-HEIGHT: 200%; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="LINE-HEIGHT: 200%; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="LINE-HEIGHT: 200%; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="LINE-HEIGHT: 200%; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6596138590224138403-728518473025779352?l=armazemdeversos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://armazemdeversos.blogspot.com/feeds/728518473025779352/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6596138590224138403&amp;postID=728518473025779352' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6596138590224138403/posts/default/728518473025779352'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6596138590224138403/posts/default/728518473025779352'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://armazemdeversos.blogspot.com/2009/01/viva-do-vestido-vermelho.html' title='A Viúva do Vestido Vermelho'/><author><name>Armazém de Versos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01728499791261991678</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_BOcqcbcj2-I/SONtQTt8wLI/AAAAAAAAAAM/nTvctQ100Vg/S220/DSC06211.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6596138590224138403.post-1315986469093162076</id><published>2009-01-12T05:40:00.000-08:00</published><updated>2009-01-12T05:42:21.858-08:00</updated><title type='text'>Divagações</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight: bold;font-size:180%;" &gt;Divagações&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;br /&gt;Parece um castigo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;remendar os rascunhos&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;dos gestos definitivos.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-size:85%;" &gt;(Gilson Cavalante)&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6596138590224138403-1315986469093162076?l=armazemdeversos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://armazemdeversos.blogspot.com/feeds/1315986469093162076/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6596138590224138403&amp;postID=1315986469093162076' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6596138590224138403/posts/default/1315986469093162076'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6596138590224138403/posts/default/1315986469093162076'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://armazemdeversos.blogspot.com/2009/01/divagaes.html' title='Divagações'/><author><name>Armazém de Versos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01728499791261991678</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_BOcqcbcj2-I/SONtQTt8wLI/AAAAAAAAAAM/nTvctQ100Vg/S220/DSC06211.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6596138590224138403.post-756328636456344557</id><published>2009-01-12T05:20:00.000-08:00</published><updated>2009-01-12T05:21:42.895-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-weight: bold; color: rgb(0, 153, 0);font-size:100%;" &gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 0);font-size:180%;" &gt;V I S G O&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 0);"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Gilson Cavalcante&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Na clarividência&lt;br /&gt;das mangabas&lt;br /&gt;o visgo do vôo&lt;br /&gt;no vão da fala&lt;br /&gt;des/aba abismos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pássaro mitológico&lt;br /&gt;leva  no bico o passado&lt;br /&gt;na ordem dos invertebrados&lt;br /&gt;e o fígado de Prometeu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo que cai é meu&lt;br /&gt;grito de batismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vivo de aparar estrelas&lt;br /&gt;cadentes no cesto&lt;br /&gt;do ceticismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Faço das cordas&lt;br /&gt;o cadafalso do lirismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembranças:&lt;br /&gt;aviões e  navios de papel&lt;br /&gt;carretéis de linha&lt;br /&gt;lápis de cor sem pontas&lt;br /&gt;e uma borracha&lt;br /&gt;de apagar os borrões&lt;br /&gt;da alma dos jornais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Toda herança.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6596138590224138403-756328636456344557?l=armazemdeversos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://armazemdeversos.blogspot.com/feeds/756328636456344557/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6596138590224138403&amp;postID=756328636456344557' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6596138590224138403/posts/default/756328636456344557'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6596138590224138403/posts/default/756328636456344557'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://armazemdeversos.blogspot.com/2009/01/v-i-s-g-o-gilson-cavalcante-na.html' title=''/><author><name>Armazém de Versos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01728499791261991678</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_BOcqcbcj2-I/SONtQTt8wLI/AAAAAAAAAAM/nTvctQ100Vg/S220/DSC06211.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6596138590224138403.post-867007643056974648</id><published>2009-01-12T04:56:00.000-08:00</published><updated>2009-01-18T04:11:38.781-08:00</updated><title type='text'>Centelha</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_BOcqcbcj2-I/SWs_BmfRAwI/AAAAAAAAAAo/R2veudaugWU/s1600-h/Abstrato_4.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5290391484020884226" style="FLOAT: left; MARGIN: 0pt 10px 10px 0pt; WIDTH: 209px; CURSOR: pointer; HEIGHT: 166px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_BOcqcbcj2-I/SWs_BmfRAwI/AAAAAAAAAAo/R2veudaugWU/s320/Abstrato_4.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(255,153,0)"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;Sem teto&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;sem nada&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;contudo centelha&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;na/morada nova.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;Gilson Cavalcante&lt;/span&gt;)&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6596138590224138403-867007643056974648?l=armazemdeversos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://armazemdeversos.blogspot.com/feeds/867007643056974648/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6596138590224138403&amp;postID=867007643056974648' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6596138590224138403/posts/default/867007643056974648'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6596138590224138403/posts/default/867007643056974648'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://armazemdeversos.blogspot.com/2009/01/centelha.html' title='Centelha'/><author><name>Armazém de Versos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01728499791261991678</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_BOcqcbcj2-I/SONtQTt8wLI/AAAAAAAAAAM/nTvctQ100Vg/S220/DSC06211.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_BOcqcbcj2-I/SWs_BmfRAwI/AAAAAAAAAAo/R2veudaugWU/s72-c/Abstrato_4.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6596138590224138403.post-5982243175679257009</id><published>2008-10-01T06:19:00.000-07:00</published><updated>2008-10-01T06:21:06.184-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Sou o que desconheço&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Gilson Cavalcante&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:lucida grande;"&gt;Sou o que desconheço.&lt;br /&gt;Desde cedo, muito cedo&lt;br /&gt;inventei de vestir os avessos&lt;br /&gt;dos caminhos e suas bifurcações.&lt;br /&gt;Sou o que desconheço, sim.&lt;br /&gt;É que o avesso me vestiu a alma muito cedo.&lt;br /&gt;Ando rasgando endereços, fugindo dos laços.&lt;br /&gt;Mal amanheço.&lt;br /&gt;Sou, sim, repito, o que desconheço,&lt;br /&gt;o avesso do espelho nos olhos teus.&lt;br /&gt;Por isso, me esclareço nas noites de insônia,&lt;br /&gt;quando me entrego completamente&lt;br /&gt;sem os adereços da hipocrisia.&lt;br /&gt;E tem mais:&lt;br /&gt;podem me achar louco,&lt;br /&gt;lúdico, varrido.&lt;br /&gt;Mas são nessas circunstâncias&lt;br /&gt;que amo as pessoas, os bichos,&lt;br /&gt;a natureza. Nunca me dou por vencido.&lt;br /&gt;O resto que me sobra&lt;br /&gt;é asfixia e sombra.&lt;br /&gt;Deixem-me partir, estou atrasado.&lt;br /&gt;Levo para o futuro&lt;br /&gt;a fisionomia macia dos parafusos&lt;br /&gt;vou apertar meu outro lado.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6596138590224138403-5982243175679257009?l=armazemdeversos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://armazemdeversos.blogspot.com/feeds/5982243175679257009/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6596138590224138403&amp;postID=5982243175679257009' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6596138590224138403/posts/default/5982243175679257009'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6596138590224138403/posts/default/5982243175679257009'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://armazemdeversos.blogspot.com/2008/10/sou-o-que-desconheo-gilson-cavalcante.html' title=''/><author><name>Armazém de Versos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01728499791261991678</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_BOcqcbcj2-I/SONtQTt8wLI/AAAAAAAAAAM/nTvctQ100Vg/S220/DSC06211.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6596138590224138403.post-611768393939926159</id><published>2008-10-01T06:14:00.000-07:00</published><updated>2008-10-01T06:18:15.573-07:00</updated><title type='text'>SOLILÓQUIO</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:180%;"&gt;SOLILÓQUIO&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Gilson Cavalcante&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um ser só&lt;br /&gt;sabe em si&lt;br /&gt;o silêncio&lt;br /&gt;de repartir&lt;br /&gt;o dom da dor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vida divida é dádiva&lt;br /&gt;e a dívida é dúvida&lt;br /&gt;que não se compartilha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou a sorte jogada&lt;br /&gt;pelas ruas e becos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou a arte desfigurada&lt;br /&gt;pela inscrição nos muros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No meu interior há ainda pecados capitais a saldar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou ainda a parte alada&lt;br /&gt;da poesia concreta,&lt;br /&gt;a boca-de-lobo&lt;br /&gt;à espreita dos ratos&lt;br /&gt;e dejetos,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a solidão&lt;br /&gt;das madrugas frias&lt;br /&gt;vigiada pelo galos,&lt;br /&gt;o conteúdo exagerado&lt;br /&gt;das lembranças esquecidas&lt;br /&gt;sobre o jirau de aparar estrelas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De ser tão só&lt;br /&gt;aprendi a criar asas&lt;br /&gt;pra assustar meus fantasmas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora posso dormir&lt;br /&gt;em minha companhia.&lt;br /&gt;Só os sinos me estendem&lt;br /&gt;a alma além das esferas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6596138590224138403-611768393939926159?l=armazemdeversos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://armazemdeversos.blogspot.com/feeds/611768393939926159/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6596138590224138403&amp;postID=611768393939926159' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6596138590224138403/posts/default/611768393939926159'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6596138590224138403/posts/default/611768393939926159'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://armazemdeversos.blogspot.com/2008/10/solilquio.html' title='SOLILÓQUIO'/><author><name>Armazém de Versos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01728499791261991678</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_BOcqcbcj2-I/SONtQTt8wLI/AAAAAAAAAAM/nTvctQ100Vg/S220/DSC06211.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6596138590224138403.post-8292749661005281474</id><published>2008-10-01T06:07:00.000-07:00</published><updated>2008-10-01T06:13:22.298-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='outono'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Diálogo com o anjo &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;da retaguarda&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Gilson Cavalcante&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Um anjo me soprou no ouvido&lt;br /&gt;que as coisas líquidas são&lt;br /&gt;mais fáceis de serem engolidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só me esqueceu de dizer&lt;br /&gt;como lidar com a ausência&lt;br /&gt;e o seu calendário pontiagudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sei que o hálito das manhãs&lt;br /&gt;me enlouquece e esqueço&lt;br /&gt;que sou feito de osso, sangue&lt;br /&gt;e gemido. E grito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mesmo anjo ventilou&lt;br /&gt;suas asas em meus olhos&lt;br /&gt;e me tangeu para a vertigem dos abismos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quis ele que eu fosse palhaço&lt;br /&gt;e roubou meu sorriso&lt;br /&gt;e me vestiu de andrajos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vago, vago por aí&lt;br /&gt;à procura de trapézios&lt;br /&gt;e do conteúdo das coisas adiadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A árvore da volúpia&lt;br /&gt;me despiu dos pecados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou a solidão do que esclareço&lt;br /&gt;e nego. O que mais querem de mim&lt;br /&gt;senão a ferrugem do punhal&lt;br /&gt;na jugular do poeta?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quero uns olhos&lt;br /&gt;emprestados pra chorar.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6596138590224138403-8292749661005281474?l=armazemdeversos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://armazemdeversos.blogspot.com/feeds/8292749661005281474/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6596138590224138403&amp;postID=8292749661005281474' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6596138590224138403/posts/default/8292749661005281474'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6596138590224138403/posts/default/8292749661005281474'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://armazemdeversos.blogspot.com/2008/10/dilogo-com-o-anjo-da-retaguarda-gilson.html' title=''/><author><name>Armazém de Versos</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01728499791261991678</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_BOcqcbcj2-I/SONtQTt8wLI/AAAAAAAAAAM/nTvctQ100Vg/S220/DSC06211.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
